Por Mariana Honesko
Estatisticamente, os casos de problemas na Tireóide, em todo o mundo, aumentaram. Não há exatamente uma causa definida apontada como motivo para a elevação dos índices. O que há, contudo, são hipóteses que podem justificar o aparecimento. “Talvez a radiação ambiente ou a quantidade de iodo consumida. São vários os fatores, inclusive os critérios para diagnóstico ou de tratamento estão mudando por causa do número da incidência”, aponta o endocrinologista, Joaquim Ribas.
Basta entender a função da Tireóide para avaliar os avanços da medicina neste campo. Ela regula o metabolismo do corpo, determina o ritmo do organismo. As “falhas” geram as duas versões dos problemas mais comuns. “O hipotireoidismo dá um ritmo lento e o hiper, acelera todo o metabolismo”, define Ribas.
O “hipo” é bem mais frequente que o “hiper”, especialmente entre as mulheres. A doença é tratável e o custo para isso bastante acessível. De modo geral, a ingestão de um único comprimido por dia – disponível nas farmácias, por preços baixos – equilibra os níveis. O tratamento é fundamental, especialmente em mulheres grávidas. “Para que se evitem danos à gestação, como abortamento, parto prematuro ou até defeitos de desenvolvimento intelectual do bebê”, explica. A doença também pode causar aumento dos níveis do colesterol e pode comprometer a saúde mental. “Ele causa depressão, dores no corpo, cansaço, desânimo”, lembra Ribas.
O “hiper”, mais raro, é também mais grave e de tratamento delicado. Ele provoca o aparecimento de nódulos, os caroços popularmente chamados de “papo”. Com os avanços na identificação precoce da doença, o aparecimento dos nódulos tem se tornado cada vez mais raro. “A maioria são benignos e não requerem intervenção médica. Uma vez visto, contudo, precisa ser identificado. Pequena parte dele, ou até todo ele, precisa ser retirado ou até a tireóide toda”, ressalta. Os cânceres de tireóide não são frequentes mas quando ocorrem, tem grandes chances de cura. “Algo em torno dos 98%”, diz Ribas.
A duração do tratamento é variável. Ele é definido a partir da origem do problema em cada paciente. A maioria, contudo, mantém-se continuamente. “E com os exames de sangue a gente observa se a dose está correta e se o paciente precisa continuar com o tratamento ou não”, pontua.
O diagnóstico da doença só é confirmado a partir de exames específicos, já que as queixas dos pacientes variam e, na maioria das vezes, não combinam. “É até normal que o endocrinologista recebe o paciente já triado por outros profissionais”, sorri. Mais frequentemente, quem já tem familiares com histórico da doença, ficam mais suscetíveis à ela. A comprovação só ocorre com exames de sangue, feitos no laboratório.
Na medida certa
O tratamento é simples mas para ser eficaz, depende da ingestão de uma dosagem correta. Do contrário, não há efeito ou, pior ainda, pode provocar osteoporose ou arritmias cardíacas. “Quem toma o medicamento tem que ter uma dose justa, adequada. Você precisa estar com a dose correta, no ponto, e isso só é possível com os exames, que determina a quantidade”, orienta Ribas.
Tireóide
É uma glândula pequena que fica abaixo do pescoço, abaixo do “pomo de Adão”. Abaixo da garganta, há uma carne esponjosa, que são as glândulas da Tireóide. Elas têm formato de borboleta e só são palpáveis quando seu tamanho começa a sofrer alteração.