
Autor de algumas das novelas mais emblemáticas da televisão brasileira, Manoel Carlos morreu neste sábado (10), aos 92 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família. A causa da morte não foi divulgada.
Conhecido como Maneco, o escritor estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, onde realizava tratamento contra a Doença de Parkinson. No último ano, a enfermidade havia comprometido de forma significativa suas funções motoras e cognitivas.
Aposentado desde 2014, Manoel Carlos vivia de forma reservada ao lado da família. Ele deixa duas filhas: a atriz Júlia Almeida e a roteirista de novelas Maria Carolina, que colaborou com o pai em diferentes projetos ao longo da carreira. O velório será fechado, restrito a familiares e amigos próximos. Em nota, a família agradeceu as manifestações de carinho e pediu respeito à privacidade neste momento de luto.
Da juventude nos palcos à consagração na TV
Nascido em 1933, em São Paulo, Manoel Carlos sempre se definiu como carioca de coração. Filho de um comerciante e de uma professora, iniciou a vida profissional aos 14 anos como auxiliar de escritório, mas desde cedo manteve forte ligação com as artes. Frequentava diariamente a Biblioteca Municipal de São Paulo, onde participava de encontros literários e teatrais com jovens que mais tarde se tornariam referências culturais, como Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Flávio Rangel e Antunes Filho. O grupo ficou conhecido como Adoradores de Minerva.
A estreia artística ocorreu aos 17 anos, como ator do programa “Grande Teatro Tupi”. No ano seguinte, recebeu prêmio de ator revelação e passou a atuar também como produtor e diretor. A partir da década de 1950, iniciou uma intensa trajetória pela televisão brasileira, escrevendo e adaptando dezenas de teleteatros e programas em emissoras como TV Tupi, TV Record, TV Excelsior, TV Rio e TV Itacolomi.
Na TV Record, integrou equipes responsáveis por programas históricos como “Família Trapo”, “O Fino da Bossa” e “Hebe Camargo”. Já na TV Rio, trabalhou ao lado de nomes como Chico Anysio e Ziraldo.
Trajetória na Globo e estilo consagrado
Manoel Carlos chegou à TV Globo em 1972, como diretor-geral do “Fantástico”, função que exerceu por três anos. Sua estreia como novelista da emissora ocorreu em 1978, com “Maria, Maria”, seguida da adaptação de “A Sucessora”. A partir daí, consolidou um estilo próprio, inspirado na radionovela e marcado pelo realismo emocional.
Entre os principais traços de sua obra estão o Rio de Janeiro — especialmente o Leblon — como cenário recorrente, os conflitos familiares e personagens femininas fortes. As “Helenas” se tornaram sua assinatura artística, retratando mulheres complexas, mães intensas e protagonistas de grandes dilemas morais.
De “Baila Comigo” (1981) a “Em Família” (2014), Maneco criou Helenas interpretadas por atrizes como Lílian Lemmertz, Maitê Proença, Regina Duarte, Vera Fischer, Christiane Torloni, Taís Araújo e Júlia Lemmertz. Segundo o autor, o nome foi inspirado na mitologia grega e simbolizava a força feminina diante do amor e do sacrifício.
Além das novelas, escreveu minisséries de grande repercussão, como “Presença de Anita” e “Maysa – Quando Fala o Coração”, e inseriu em suas tramas debates sociais relevantes, abordando temas como doação de medula óssea, violência contra a mulher, alcoolismo, preconceito e inclusão social.
Vida pessoal e perdas familiares
Manoel Carlos também enfrentou tragédias pessoais. Além das duas filhas, teve outros três filhos que faleceram: o dramaturgo e ator Ricardo de Almeida, o diretor Manoel Carlos Júnior e o estudante de teatro Pedro Almeida.
Com sua morte, a televisão brasileira perde um de seus principais cronistas da vida cotidiana, responsável por transformar dramas íntimos em histórias que atravessaram gerações e ajudaram a definir o padrão da teledramaturgia nacional.
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