Audiência vai debater internações involuntárias de pessoas em situação de rua

Frente Parlamentar reage a portaria de Curitiba e questiona impactos das internações involuntárias nos direitos fundamentais

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Atualizado há 1 mês

A Frente Parlamentar da População em Situação de Rua vai convocar uma audiência pública para discutir as internações involuntárias da população em situação de rua em Curitiba. A decisão foi tomada após reunião realizada nesta segunda-feira (19), no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná.

O encontro avaliou os efeitos da Portaria Conjunta nº 2 da Prefeitura de Curitiba, em vigor desde dezembro de 2025, que autoriza órgãos municipais a realizarem internações involuntárias de pessoas com transtornos mentais, associados ou não ao uso de álcool e outras drogas.

Críticas à criminalização e ao internamento forçado

Coordenador da Frente Parlamentar, o deputado Renato Freitas (PT) afirmou que as internações involuntárias da população em situação de rua reforçam estigmas e podem representar violação de direitos fundamentais.

Segundo o parlamentar, a política pública precisa priorizar moradia, saúde, alimentação, trabalho e educação. Ele defende que o internamento forçado seja adotado apenas em situações extremas, quando há risco iminente à própria vida ou à de terceiros.

Encontro no Plenarinho foi promovido pela Frente Parlamentar da População em Situação de Rua, coordenada pelo deputado Renato Freitas (PT) | Foto: Valdir Amaral/Alep
Encontro no Plenarinho foi promovido pela Frente Parlamentar da População em Situação de Rua, coordenada pelo deputado Renato Freitas (PT) | Foto: Valdir Amaral/Alep

Ministério Público destaca o pós-internação

Durante a reunião, o promotor de Justiça Angelo Mazzucchi Santana Ferreira, do Ministério Público do Paraná, ressaltou que o principal desafio está no acompanhamento após a alta médica. Para ele, além do atendimento clínico, é essencial garantir moradia, monitoramento social e acompanhamento contínuo dessa população vulnerável.

Vereadores apontam política “higienista”

A vereadora Giorgia Prates (PT), da Câmara Municipal de Curitiba, criticou a condução da política municipal para a área central da cidade. Segundo ela, a internação involuntária surge como resposta desumanizada a um problema estrutural, agravado pelo esvaziamento do centro e pela ausência de políticas públicas integradas.

Encaminhamentos e pedidos de informações

Além da audiência pública, a Frente Parlamentar decidiu encaminhar uma série de ofícios e proposições. Entre as medidas estão a criação de um Observatório Estadual das Internações Involuntárias, pedidos de informações às secretarias de Saúde e Segurança Pública, além da elaboração de um projeto de lei que impeça o uso da internação como instrumento de política urbana ou penal.

A Defensoria Pública do Paraná também informou que analisa a portaria municipal e deve emitir parecer jurídico nos próximos dias.

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