O Acordo Mercosul-União Europeia foi o tema central do primeiro dia do Show Rural Coopavel 2026, uma das maiores feiras do agronegócio do país, realizada de 9 a 13 de fevereiro, em Cascavel (Oeste do Paraná).
O assunto foi debatido na Mesa de Diálogo “Acordo Mercosul – Perspectivas e Oportunidades”, promovida pela Itaipu Binacional e pelo Governo do Brasil, em parceria com a Coopavel e o Sistema Ocepar.
O encontro reuniu autoridades governamentais, lideranças do cooperativismo e especialistas em comércio internacional para discutir impactos, desafios e oportunidades gerados pelo Acordo Mercosul-União Europeia para o agronegócio brasileiro, em especial para o Paraná.
Impactos para o Oeste do Paraná
Participaram do painel o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri; a secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiavelli; o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli; o superintendente do Sistema Ocepar, Robson Leandro Mafioletti; e a doutora em Relações Internacionais e servidora de carreira do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres. A mediação foi de Gisele Ricobom, assistente do diretor-geral brasileiro da Itaipu.
Ao tratar dos efeitos do Acordo Mercosul-União Europeia para o Oeste do Paraná, Enio Verri destacou o potencial transformador para a região.
Segundo ele, a combinação entre produção agrícola e suinocultura coloca o território em posição estratégica diante da demanda europeia por alimentos.
“O acordo com a União Europeia é um sonho de mais de 20 anos, que pode mudar todo o cenário mundial dos negócios, em especial do agronegócio e, particularmente, do Oeste do Paraná”, afirmou.
Verri lembrou que a União Europeia é hoje o segundo maior mercado do Brasil, atrás apenas da China, e ressaltou que o bloco impõe exigências rigorosas em temas como uso racional da água, métodos de produção e abate e cumprimento de prazos de entrega.
Investimentos e competitividade regional
Nesse contexto, o diretor da Itaipu reforçou a importância dos investimentos da Binacional na competitividade regional.
Ele citou ações como asfaltamento de estradas rurais, parcerias com prefeituras para geração de energia solar, apoio à melhoria da qualidade da água e incentivo à agricultura familiar, com assistência técnica, novas tecnologias e financiamento de equipamentos.
Para Verri, essas iniciativas colocam o agronegócio do Oeste do Paraná em condições de atender às exigências que o Acordo Mercosul-União Europeia deve impor a partir de sua implementação, ampliando as oportunidades de negócios e o acesso a mercados de alto valor agregado.
Acordo estratégico para o Brasil e o Paraná
Responsável por detalhar os aspectos técnicos do tratado, Tatiana Prazeres afirmou que o Acordo Mercosul-União Europeia amplia de forma significativa o acesso do Brasil a um mercado exigente e com grande poder de consumo.
Ela explicou que mais de cinco mil produtos brasileiros terão tarifas eliminadas assim que o acordo entrar em vigor, enquanto a abertura do mercado brasileiro ocorrerá de forma gradual, permitindo planejamento ao setor produtivo.
Tatiana também destacou a dimensão ambiental do tratado.
Segundo ela, o acordo incorpora compromissos de sustentabilidade, combate ao desmatamento e valorização das energias renováveis, alinhados à política ambiental brasileira.
O Paraná, um dos estados com maior vocação exportadora do país, tende a se beneficiar da ampliação de mercados, desde que produtores e empresas sejam capacitados para acessar as oportunidades.
Ao final, a especialista sugeriu a realização de workshops técnicos para esclarecer dúvidas sobre tarifas, regras sanitárias e oportunidades específicas por produto, garantindo que o setor privado conheça e aproveite os instrumentos previstos no acordo.
Cooperativismo e valor agregado
O presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, defendeu que o Brasil avance na exportação de produtos com maior valor agregado, deixando de atuar apenas como fornecedor de matérias-primas.
Ao apresentar dados da balança comercial positiva do agronegócio, ele reforçou que transformar insumos em produtos industrializados aumenta a geração de renda, empregos e desenvolvimento regional.
Na mesma linha, Robson Mafioletti ressaltou o papel do cooperativismo como motor do desenvolvimento paranaense.
De acordo com o superintendente do Sistema Ocepar, a organização coletiva de pequenos e médios produtores permite acesso a mercados globais, agregação de valor à produção e resultados econômicos expressivos, mesmo em propriedades de menor porte.
Mafioletti lembrou que as cooperativas do Paraná respondem por parcela significativa da produção de grãos, carnes e agroindústrias do país, mantendo milhares de empregos diretos.
Para ele, o sucesso do modelo está no planejamento de longo prazo, no investimento contínuo em novos empreendimentos e na distribuição dos resultados aos cooperados.

Agricultura familiar protegida e novas oportunidades
A secretária-executiva do MDA, Fernanda Machiavelli, apresentou a perspectiva da agricultura familiar no Acordo Mercosul-União Europeia.
Ela destacou que o setor passou a integrar ativamente as negociações a partir de 2023, com a recriação do ministério no atual governo.
Fernanda explicou que o Brasil conseguiu preservar mercados estratégicos para a agricultura familiar, como as compras públicas de alimentação escolar e programas de aquisição de alimentos, que seguem reservados à produção nacional.
Produtos sensíveis, especialmente do setor de lácteos, também foram protegidos de uma abertura comercial plena.
Ao mesmo tempo, a secretária apontou novas oportunidades para cooperativas da agricultura familiar na exportação de frutas, café industrializado e outros itens com maior valor agregado.
Segundo ela, o desafio é conciliar a proteção à produção nacional com a expansão de mercados, garantindo que o alimento que chega à mesa das famílias brasileiras continue vindo das mãos de homens e mulheres do campo.
Parcerias para um avanço sustentável
O debate promovido pela Itaipu e pelo Governo do Brasil no Show Rural evidenciou que a organização das cadeias produtivas, a inovação, a sustentabilidade e o fortalecimento das parcerias entre poder público, cooperativas e agricultores serão decisivos para o aproveitamento pleno do Acordo Mercosul-União Europeia.
O encontro contou ainda com as presenças do diretor de Coordenação da Itaipu, Carlos Carboni; do diretor-superintendente do Itaipu Parquetec, Irineu Colombo; do diretor de Negócios e Empreendedorismo do Itaipu Parquetec, Eduardo de Miranda; e do coordenador-geral do Show Rural, Rogério Rizzardi.





