A família de um bebê que nasceu na terça-feira, 11, na maternidade do Hospital Santa Cruz de Canoinhas (HSCC) ficou indignada com a forma como teria ocorrido o parto da criança.
Segundo a família, a equipe médica que fez o parto teria forçado a retirada da criança ao ponto de quebrar um dos pés e um dos fêmures da bebê.

O HSCC diz não haver certeza se a quebra ocorreu durante o procedimento ou se dentro do útero da mãe durante a gestação.
Segundo os familiares da bebê, ultrassons realizados antes do parto não apontaram nenhum membro quebrado.
“A médica disse que era normal o pé nascer torto. Hoje (quarta, 12) que acusou que a perna estava quebrada, ela chorou a noite toda”, conta um dos tios da criança (os nomes não serão citados para não expor a bebê).
CONTRAPONTO
A enfermeira responsável pela maternidade, Daniele Aparecida de Campos, admitiu somente a fratura em um dos fêmures, mas disse que “não sabemos ao certo ainda se a fratura foi patológica dentro do útero, ou foi da manobra para a retirada da bebê, que estava sentada. Mas estamos ofertando tudo o possível para a família, até a compra do suspensório para o bebê usar, já que foi essa a orientação do Hospital Infantil de Joinville”, explica.
Sobre a demora em se conseguir o suspensório, ela relata que a equipe encontrou o equipamento somente em São Mateus do Sul. O HSCC contratou um motoboy que trouxe o suspensório da cidade vizinha. Porém, o equipamento é grande e, por isso, foi encomendado um menor, que deve chegar somente nesta sexta, 13, em São Mateus do Sul, para então ser trazido para Canoinhas. Daniele explica que foi tentada a transferência da bebê para Joinville, mas a orientação do hospital referência é de “tratamento conservador”, ou seja, vestir a criança com o suspensório e observar.
Daniele disse ainda que como a bebê estava sentada, a chamada “extração pélvica” foi mais delicada, mas segundo a equipe, foi tranquila.
“É uma fratura grande, então queremos saber se foi dentro do útero ou, infelizmente, na hora do manejo”, afirmando que uma sindicância interna será aberta para apurar o caso e, eventualmente, apontar responsabilidades.
A direção do Hospital Santa Cruz de Canoinhas informou que está apurando internamente a suspeita de que uma recém-nascida teve uma das pernas fraturadas durante o parto na maternidade da unidade, localizado em Canoinhas (SC).
Segundo os familiares, a equipe médica teria forçado a retirada da criança, que estava posicionada com as pernas para cima (“sentada”), o que teria causado as lesões, embora o hospital ressalte que ainda não há certeza se as fraturas ocorreram antes do parto ou durante o procedimento.
A bebê foi atendida na maternidade do hospital, e a equipe tentou imediatamente a colocação de um suspensório ortopédico recomendado pelo Hospital Infantil de Joinville para auxiliar na recuperação óssea — recurso que acabou chegando mais tarde por dificuldades logísticas.
Diante da situação e das críticas da família, a prefeita de Canoinhas chegou a solicitar o afastamento da médica responsável pelos plantões de obstetrícia, o que gerou repercussão e levantou questionamentos sobre a continuidade do serviço na maternidade.
Contrato de plantão será mantido pela empresa responsável
A clínica médica Weinert & Ogasawara Ltda — responsável pelo plantão presencial 24 h na especialidade de obstetrícia e ginecologia no Hospital Santa Cruz — havia informado a intenção de rescindir o contrato de prestação de serviços, previsto para vigorar até esta quarta-feira, 18.
No entanto, após reunião com integrantes da equipe, a empresa decidiu manter a atuação até que outra organização seja contratada para assumir o atendimento.
Em nota, a Weinert & Ogasawara destacou que compreende a importância dos serviços obstétricos e ginecológicos, considerados essenciais, e que permanecerá com a assistência regular até a transição para uma nova equipe, garantindo a continuidade da assistência à população.
A decisão de manter o contrato ocorreu em meio à polêmica desencadeada pelo caso da fratura da recém-nascida e ao debate público sobre a qualidade e a segurança do atendimento na maternidade.
As investigações sobre as circunstâncias da suspeita de fratura no parto seguem em andamento, com a administração do Hospital Santa Cruz realizando uma apuração interna que poderá apontar responsabilidades e orientar eventuais ajustes nas práticas assistenciais.