Um levantamento detalhado apresentado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) nesta semana acendeu um alerta sobre a presença de agrotóxicos no abastecimento público do estado.
De acordo com o estudo, que analisou o período entre 2018 e 2023, resíduos químicos foram detectados em 155 municípios catarinenses, o que representa 52,5% do total do estado.
A gravidade dos dados aumenta com a identificação de 42 tipos de princípios ativos, incluindo cinco substâncias que são proibidas no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): carbofurano, metolacloro, molinato, benomil e haloxifobe metílico.
Esses componentes banidos foram encontrados em amostras coletadas em Balneário Camboriú, Rancho Queimado, Imbuia, Canelinha, Ituporanga e São João do Sul e Itaiópolis, na região de Canoinhas
Apesar da detecção desses elementos, as autoridades garantem que a água que chega às torneiras da população é segura para o consumo imediato. A promotora de Justiça Aline Restel Trennepohl, coordenadora do Centro de Apoio Operacional do Consumidor (CCO), explica que os níveis encontrados estão abaixo dos Valores Máximos Permitidos (VMP) pela legislação do Ministério da Saúde.
Segundo a promotora, embora os processos de tratamento garantam proteção imediata, o foco da preocupação institucional reside no risco da exposição crônica, caracterizada pelo contato contínuo e cumulativo com esses resíduos ao longo de décadas.
Diante deste cenário, o MPSC articula uma ofensiva em diversas frentes para mitigar os impactos ambientais e de saúde pública.
Entre as medidas previstas estão a criação de grupos de trabalho intersetoriais nas cidades mais críticas para a conscientização de agricultores e o monitoramento de pacientes, além da abertura de procedimentos administrativos pelas promotorias locais.
No âmbito federal, o Ministério Público busca sensibilizar o Ministério da Saúde para uma revisão na legislação vigente. O argumento central é que a norma atual avalia substâncias de forma isolada, ignorando os riscos potenciais causados pela mistura de múltiplos agrotóxicos na água consumida pela população.