Nesta semana, o mundo passou a acompanhar com mais atenção os acontecimentos no Oriente Médio. Tudo começou no sábado, 28, com um ataque ao Irã coordenado pelos EUA e Israel. Desde então, as forças militares dos três países têm realizado ataques mútuos e diários.

Os primeiros sinais de que uma nova guerra poderia estar se instalando na região vieram na sexta-feira, 27, com um comunicado emitido pela embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém orientando que funcionários não essenciais cumprindo missão em Israel deixassem o país enquanto voos comerciais ainda estivessem disponíveis. Os EUA citavam um possível risco de segurança, autorizando a evacuação de servidores governamentais e familiares.
Segundo o presidente norte-americano, Donald Trump, e o Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, os ataques foram justificados pela intenção de acabar com o programa nuclear do Irã e dar aos iranianos a oportunidade de derrubar o governo.
A mudança na governança iraniana é uma das prioridades dos EUA e Israel. O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foi morto durante os ataques de sábado. O sucessor deve ser escolhido pela Assembleia de Especialistas, formado por 88 aiatolás. O nome mais cotado para o posto de líder supremo é o de Mojtaba Khamenei, filho de Ali.
Entretanto, nesta quinta-feira, 05, Donald Trump afirmou que precisa estar pessoalmente envolvido na eleição do novo líder supremo iraniano, e que a escolha por Mojtaba Khamenei é inaceitável. “O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irã. Eles estão perdendo tempo. O filho de Khamenei é um peso morto. Eu preciso estar envolvido na nomeação, como fiz com Delcy [Rodriguez] na Venezuela”, disse.
Negociações são improváveis neste momento
Na segunda-feira, 02, o chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, usou a rede social X para afirmar que o país não fará acordo com o presidente Donald Trump. “Não haverá negociação com os Estados Unidos”, escreveu.
Larijani publicou outras mensagens na rede social e escreveu que “Trump traiu o ‘América Primeiro’ e adotou o ‘Israel Primeiro”. Em outra postagem, o chefe de Segurança iraniano escreveu que o presidente norte-americano “puxou toda a região para uma guerra desnecessária e agora está devidamente preocupado com as mortes de norte-americanos. É muito triste ele sacrificar o tesouro e o sangue americano para avançar nas ambições expansionistas ilegítimas de Netanyahu”.
O ataque conjunto dos EUA e Israel ao Irã não deve parar tão cedo. Segundo o próprio Trump, as agressões continuarão até que os objetivos militares dos EUA sejam atingidos.
Na terça-feira, 03, o exército israelense lançou uma incursão terrestre na fronteira com o sul do Líbano, país que já havia anunciado a retirada de efetivos militares na região para proteger a tropa. Paralelamente, os EUA afirmaram não descartar a possibilidade do envio de tropas norte-americanas para combate em solo no Irã.
A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que desde o sábado até esta quinta-feira, 25, cerca de 275 mil pessoas tenham se deslocado de locais afetados pelos conflitos, principalmente no Líbano, Afeganistão e Paquistão, além do próprio Irã.