A Assembleia Legislativa do Paraná realizou nesta segunda-feira (30) uma sessão solene em alusão ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril. Proposta pela deputada estadual Flávia Francischini (SD), a cerimônia voltou a colocar em evidência a inclusão no autismo, com destaque para avanços legais, desafios diários e a necessidade de ampliar políticas públicas.
Durante o evento, a parlamentar defendeu que a conscientização precisa ir além do mês de abril e envolver toda a sociedade. Segundo ela, o engajamento de prefeituras, câmaras municipais, profissionais e da população em geral é essencial para fortalecer a inclusão no autismo e garantir mais visibilidade às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Desafios ainda persistem
Entre os principais pontos debatidos na solenidade estiveram a falta de profissionais especializados, o acesso ao diagnóstico, o suporte escolar, a oferta de medicamentos e o atendimento na rede pública de saúde. A escassez de neurologistas e psiquiatras foi apontada como um dos entraves para o acompanhamento adequado das famílias.
O secretário de Estado do Desenvolvimento Social e Família, Rogério Carboni, afirmou que o Paraná tem avançado com ações voltadas à pessoa com deficiência e às pessoas autistas. Ele citou o fortalecimento de políticas específicas, a ampliação de recursos públicos e a implantação de salas sensoriais como parte desse processo.
Livros, acolhimento e protagonismo
A sessão também deu espaço para profissionais e autores que atuam diretamente na causa. O major Murilo Sinque, do Corpo de Bombeiros do Paraná, destacou o reconhecimento ao trabalho voltado ao atendimento de pessoas autistas em situações de emergência e apresentou materiais que contribuem para uma abordagem mais humanizada.
Outro destaque foi o livro “Olívia”, escrito por 20 coautores, entre eles Lara Frasson e Marina Raauvendaal Tissot. A obra aborda o autismo sob diferentes perspectivas e busca ampliar o entendimento sobre a realidade de crianças, adolescentes e adultos, incluindo o autismo em meninas e mulheres, tema ainda pouco explorado.
Representantes de clínicas, instituições e mães atípicas também reforçaram que a luta por respeito, acolhimento e informação acontece todos os dias. A diretora do Instituto Anjo Azul, Laura Alvim, defendeu que a pauta precisa permanecer viva durante todo o ano, já que o autismo faz parte da realidade de milhares de famílias.
Paraná destaca legislação pioneira
O Paraná aparece em posição de destaque com a criação do Código Estadual da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, instituído pela Lei nº 21.964/2024. A legislação reúne e amplia direitos nas áreas da saúde, educação, assistência social e inclusão, estabelecendo diretrizes para o atendimento integral às pessoas autistas.
Além da sessão solene, a programação incluiu a exposição “A Outra Face do Autismo”, no Espaço Cultural da Assembleia, com imagens do cotidiano de crianças e jovens autistas com suas famílias. Também foi promovida uma ação de adoção de pets ligada a projeto de terapia ocupacional e emocional com autistas.
Dados citados durante o evento mostram a dimensão do tema. No Brasil, o Censo 2022 do IBGE, divulgado em 2025, identificou 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com TEA, o equivalente a cerca de 1,2% da população. O número reforça a urgência de ampliar debates e consolidar ações concretas de inclusão no autismo em diferentes áreas da sociedade.