O investimento de Itaipu na conta de luz já soma R$ 5,7 bilhões entre 2023 e 2026, com recursos destinados à redução da pressão tarifária e ao equilíbrio do setor elétrico brasileiro. Os valores foram repassados à conta de comercialização da energia da usina, administrada pela Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar).
A iniciativa tem como principal objetivo manter a energia de Itaipu em patamar competitivo no mercado regulado, refletindo diretamente no valor pago pelos consumidores. Segundo o diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, a medida está alinhada às políticas do governo federal para garantir previsibilidade e tarifas mais acessíveis.

Recursos reforçam modicidade tarifária
Somente em 2026, os aportes já atingiram R$ 1,556 bilhão. Nos anos anteriores, os repasses ocorreram de forma contínua: foram R$ 1,694 bilhão em 2025, R$ 1,659 bilhão em 2024 e R$ 793,1 milhões em 2023, ano em que a usina quitou sua dívida histórica de construção.
Com o fim dessa dívida, em fevereiro de 2023, houve uma mudança estrutural no custo da energia. O valor médio, que até 2022 era de US$ 27,86 por kW/mês, caiu para US$ 20,23 por kW/mês. Para o período entre 2024 e 2026, a tarifa foi fixada em US$ 17,66 por kW/mês, consolidando uma redução de 36,6%.
De acordo com o diretor financeiro executivo da Itaipu, André Pepitone, a redução tarifária e os aportes para modicidade se traduzem em alívio direto no orçamento das famílias. O impacto é sentido principalmente por consumidores residenciais das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Energia mais competitiva no mercado
Os dados mais recentes reforçam a competitividade da energia gerada pela usina. Em 2026, o custo médio da energia de Itaipu no reajuste tarifário da distribuidora ENEL Rio de Janeiro foi de R$ 217,00 por megawatt-hora (MWh), valor inferior ao das usinas cotistas da Lei 12.783/2013, que registraram média de R$ 236,73 por MWh.
O preço também ficou significativamente abaixo da média de aquisição das distribuidoras no Ambiente de Contratação Regulada (ACR), estimada em R$ 342,71 por MWh, segundo projeção da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para 2026.
Nesse cenário, o investimento de Itaipu na conta de luz reforça o papel da binacional como instrumento estratégico para o equilíbrio do setor elétrico e para a proteção do consumidor, especialmente diante das variações de custos e da demanda crescente por energia no país.