Na terça-feira, 07, o Papa Leão XIV classificou a guerra no Oriente Médio como injusta, e pediu para que os esforços da humanidade sejam em prol da paz. A declaração foi feita nos arredores de Castel Gandolfo, um retiro papal, no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, postou em redes sociais que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, em ameaça ao Irã.
A declaração de Trump não se cumpriu, uma vez que Estados Unidos e Irã firmaram um cessar-fogo por duas semanas. O acordo, porém, pode ter chegado ao fim nesta quarta-feira, 08, após Israel bombardear áreas do Líbano, atitude considerada como uma quebra de acordo pelos iranianos.

Durante sua fala aos repórteres, o Papa Leão XIV reforçou sua mensagem do Domingo de Páscoa, pedindo pela Paz. “Pedir a todas as pessoas de boa vontade que busquem sempre a paz e não a violência, que rejeitem a guerra — especialmente uma guerra que muitos já disseram ser injusta, que continua a se intensificar e que não resolve nada. De fato, estamos enfrentando uma crise econômica mundial, uma crise energética e uma situação de grande instabilidade no Oriente Médio, que só está provocando ainda mais ódio em todo o mundo. Portanto, voltem à mesa de negociações. Vamos conversar, buscar soluções de forma pacífica”.
Ele também pediu para que as pessoas se lembrem dos inocentes que sofrem com as guerras. “Vamos lembrar, especialmente, dos inocentes — as crianças, os idosos, os doentes — tantas pessoas que já se tornaram ou ainda se tornarão vítimas dessa guerra contínua. É importante lembrar a todos que ataques à infraestrutura civil são contra o direito internacional, mas também são um sinal do ódio, da divisão e da destruição de que o ser humano é capaz. E todos nós queremos trabalhar pela paz. As pessoas querem paz”.
Dias antes, durante a homilia na Missa de Páscoa, o Papa Leão XIV alertou para uma epidemia de indiferença pela qual passa a humanidade. “Estamos nos habituando à violência, nos resignando a ela e nos tornando indiferentes. Indiferentes à morte de milhares de pessoas. Indiferentes às repercussões de ódio e divisão que os conflitos semeiam. Indiferentes às consequências econômicas e sociais que produzem e que todos sentimos”.
Leão XIV citou o exemplo de Cristo para defender o diálogo e a cooperação como forma de superar o ciclo de ódio que gera e perpetua guerras e conflitos. “Esta é a verdadeira força que traz a paz à humanidade, porque gera relações respeitosas em todos os níveis: entre as pessoas, famílias, grupos sociais e nações. Não visa o interesse particular, mas o bem comum; não pretende impor os próprios planos, mas contribuir para o conceber e o concretizar em conjunto com os outros”, acrescentou o papa.