Por Mariana Honesko

Além das férias, a Quaresma é um dos períodos que reúne uma das maiores concentrações de visitantes. O Morro do Cristo, cartão-postal de União da Vitória, tem visitação ampliada nos 40 dias lembrados com devoção pelos católicos. O local torna-se, inclusive, roteiro para penitências.
Conforme a secretaria da Igreja Sagrado Coração de Jesus, uma centena de pessoas deve caminhar até o ponto mais alto do morro. O convite é aberto à comunidade e para encarar a missão, basta disposição. A caminhada começa às 6 horas, na Sexta-feira Santa. No alto, os fieis chegam em até duas horas. Além da catedral, organizações voluntárias e privadas também ocorrem. “Além disso, as pessoas sobem também para ficar mais perto do atrativo, da imagem de Cristo mesmo”, sinaliza a turismóloga da secretaria de Turismo, Daiane Scollaro.
No entanto, as condições de acesso ao principal ponto turístico da cidade é alvo de queixas. Sirlei Cochak, em e-mail enviado à redação de O Comércio, narrou sua decepção ao alcançar com familiares que moram em outra cidade, os pés da imagem sacra. “Chegando lá, fiquei muito triste em ver o estado que está. O mato está tomando conta, a cruz quebrada, enfim está muito abandonado”, disse.
Os problemas concentrados no ponto mais alto também são nítidos no acesso. Ao lado da escadaria, o corte das árvores que estariam comprometendo a visibilidade, gerou muita lama e sujeira. Com a chuva registrada na semana passada, uma montanha de terra escorria ladeira abaixo. Mas, de acordo com o vice-prefeito e também secretário de Obras, os danos devem ser reparados. “Vamos cuidar, desde a imagem até o asfalto”, afirma Jair Brugnago. Roçada no meio-fio e limpeza da estrutura sacra, estão na pauta de trabalho. “Sabemos que é um local muito visitado mas o tempo não tem ajudado muito. Acaba atrasando nosso trabalho”, justifica. “Mas vamos deixar tudo em dia”, sinaliza.

O Conselho do Desenvolvimento do Turismo de União da Vitória (Codetur), já no ano passado, mapeava outras necessidades do Morro do Cristo. O grupo anotou, por exemplo, a carência no número de banheiros públicos, bares ou restaurantes. É discutida, inclusive, a possibilidade de privatização do espaço. Com isso seria possível inovar muito mais. A partir da privatização, a cobrança de ingressos para visitação e até a colocação de bondinhos, poderiam sair do papel.
Contudo, o Morro do Cristo, cuja história remonta ao final da década de 60, já viveu dias de maiores dificuldades. O acesso, por exemplo, era pela estrada de terra. Hoje, há asfalto em toda a extensão, até os “pés” do Cristo. A escadaria ainda é original mas também já recebeu melhorias e corrimões.
A imagem foi colocada no alto em 8 de junho de 1968. Ela tem 27 metros, sobre outros seis, de pedestal.
Fé, lá em cima
Muitos sobem a escadaria em busca de perdão. Outros agradecem. Há ainda os que enfrentam a maratona de quase 230 degraus apenas por avistar, lá do alto, uma das paisagens mais amplas e belas das Cidades Irmãs. Seja qual for o motivo, o Morro do Cristo é um dos cenários mais populares da região. Pudera: a imagem sacra é a segunda maior do país. Perde apenas para o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e empata com o Cristo Luz, em Balneário Comburiu.
Como chegar lá?
O Morro do Cristo fica no bairro São Joaquim. Há placas de sinalização, indicando o atrativo, a partir das pontes Domício Scaramella e Manoel Ribas.