Cãozinho passa dois meses preso em bueiro e morre após resgate em Três Barras

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Atualizado há 5 meses

Um cãozinho de rua morreu após ficar quase dois meses preso em um bueiro em um bairro de Três Barras. Segundo voluntários da causa animal, o filhote teria nascido na rua e caído no bueiro no início de março.

Protetores e vizinhos tentaram por diversas vezes resgatar o animal, mas não tiveram sucesso. Nessa semana, porém, ele foi retirado do bueiro e levado para atendimento veterinário, mas não resistiu às condições em que estava.

Cãozinho passa dois meses preso em bueiro e morre após resgate em Três Barras
Foto: Reprodução

Uma das voluntárias da causa animal que acompanhou a situação informou à reportagem do Portal JMais, parceiro do Portal VVale, que o resgate só foi concluído na noite desta terça-feira, 21, quando o cãozinho foi encaminhado para atendimento veterinário, em estado extremamente debilitado.

O resgate só foi possível, porque bombeiros utilizaram uma mangueira do caminhão para colocar água na tubulação da rua e “encurralar ” o animal até um ponto que fosse possível acessá-lo. Veja abaixo o vídeo do resgate:

No laudo emitido pelo médico veterinário que atendeu o animalzinho, consta a informação de que o cachorro estava desnutrido e desidratado, com vários ectoparasitas como pulgas e piolhos, além de apresentar hipotermia, hipoglicemia, lesão com secreção de pus na cauda, secreção em ambos os olhos e escoriações por todo o corpo.

O cãozinho foi medicado e internado, mas não obteve resposta positiva ao tratamento e morreu na manhã seguinte, nesta quarta-feira, 22.

Cuidados

Os vizinhos que notaram que o animalzinho havia caído no bueiro não quiseram se manifestar à reportagem, mas uma publicação de uma das moradoras da rua em uma rede social foi compartilhada pela protetora que informou sobre o caso ao JMais. Na publicação, há a informação de que os moradores da rua estavam colocando água e ração no bueiro como forma de oferecer algum cuidado ao cãozinho durante o período em que ele estava preso no local.

“Os bombeiros já vieram três vezes e não conseguem resgatá-lo, pois ele corre”, diz o texto da publicação. O cãozinho teria caído no bueiro, mas perambulava por toda a tubulação da rua.

“Ele está crescendo ali e a Prefeitura já sabe, todo mundo sabe da situação, porém o filhote foi esquecido porque dá muito trabalho tentar tirar ele dali, enquanto isso ele sofre e chora a noite toda”, finaliza a moradora na publicação compartilhada em rede social.

Contraponto

Procurada pela reportagem do JMais, a secretária do Meio Ambiente de Três Barras, Dionice Guimarães, alega que a pasta não foi omissa em relação ao caso. “Houve mobilização sim, nossos servidores iam até o local mesmo durante a noite, mas nós não conseguimos tirar o cachorro dali, eu inclusive não sei como essas moças tiraram”, destacou enfatizando que ela mesma não foi ao local nenhuma vez porque “não dá tempo de fazer todo o trabalho, mas temos uma equipe direcionada para este tipo de trabalho”.

De acordo com a secretária, já havia duas clínicas veterinárias credenciadas e de sobreaviso para quando o cãozinho fosse resgatado, mas admite que “infelizmente, nesta questão, a Secretaria de Meio Ambiente não conseguiu resolver”. Ela destaca também que o resgate efetivo teria sido “sorte” dos voluntários da causa animal que conseguiram tirar o cachorro da tubulação nesta semana.

Segundo Dionice, ela teria entrado em contato com a Diretoria do Bem-Estar Animal (Dibea), em Florianópolis, para realização de exames que demonstrassem de maneira mais efetiva as causas da morte do cãozinho. “Mas infelizmente o contato com as protetoras da causa animal é bem difícil”, comentou.

Dionice também informou que, durante as tentativas de resgate, foram abertos bueiros na rua na tentativa de localizar o animal, com o apoio do secretário distrital do São Cristóvão, Rildo Voigt.

A secretária repassou o contato de um assessor da pasta que estaria à frente do caso. Procurado pela reportagem de Jmais ele informou que equipes da Secretaria estiveram no local entre cinco e 10 vezes. “Mas sempre que a gente chegava, o cachorro não estava na saída do bueiro, e sim escondido na tubulação”, informou.

O assessor ainda insinuou que a ação dos protetores que resgataram o animal foi equivocada. “Na verdade, eles tinham que ter entrado em contato com a gente para levar o cachorro em uma clínica veterinária para uma avaliação, porém eles só pegaram o cachorro e não entraram em contato com a Secretaria”, destacou.

Assim que informado pela reportagem que o cãozinho foi levado para atendimento veterinário pelos voluntários que o resgataram, o assessor da Secretaria de Meio Ambiente destacou que a conduta não teria sido correta. “Esse cachorro acabou falecendo, porque a pessoa que pegou ele, acabou dando um medicamento sem nem entrar em contato com a gente”.

Os protetores negam que qualquer medicamento tenha sido administrado no animal. “Assim que retiramos ele da tubulação, nós corremos para o veterinário e lá na clínica foi realizado todo o procedimento necessário, mas nós, como protetoras, não demos nenhuma medicação”, concluiu a protetora que relatou o caso à reportagem.

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