O endividamento rural no Paraná atingiu R$ 10,8 bilhões em janeiro deste ano, segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP. O valor representa o chamado “saldo problemático”, que reúne dívidas em atraso, inadimplentes e contratos prorrogados ou renegociados.
De acordo com o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o cenário atual pode ser ainda mais grave. A estimativa da entidade aponta que o endividamento rural já possa ultrapassar os R$ 20 bilhões no Estado.

Atualmente, o Paraná possui cerca de R$ 99 bilhões em operações de crédito rural junto às instituições financeiras. O saldo problemático representa aproximadamente 11% desse total, índice considerado elevado para um setor historicamente marcado pela baixa inadimplência.
No cenário nacional, a situação também preocupa. Dados do levantamento mostram que o Brasil somava cerca de R$ 881 bilhões em empréstimos rurais em janeiro, com saldo problemático equivalente a 17,4% do total contratado.
Inadimplência bate recorde
As Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central revelam que a inadimplência no setor rural alcançou recorde em 2025. O índice de operações vencidas há mais de 90 dias chegou a 6,5%, muito acima dos percentuais registrados em 2024 e 2023.
Segundo o Sistema FAEP, diversos fatores contribuíram para o avanço do endividamento rural. Entre eles estão as perdas provocadas por eventos climáticos, os juros elevados, o aumento nos custos de produção e a queda no preço das commodities.
Além disso, a redução de recursos para contratação de seguro rural também agravou o cenário, deixando produtores mais vulneráveis às oscilações do mercado e do clima.
Produtores enfrentam dificuldades
O avicultor Luiz Flamengo, de Paranacity, no Noroeste do Paraná, relata dificuldades para manter a atividade. Trabalhando no sistema de integração de frango de postura, ele acumulou uma dívida de aproximadamente R$ 450 mil.
Segundo o produtor, os custos operacionais dispararam nos últimos anos, principalmente com energia elétrica, manutenção de equipamentos, lenha, insumos e mão de obra especializada.
Enquanto isso, a remuneração recebida pela produção não acompanhou o aumento das despesas. Para tentar equilibrar as contas, Flamengo chegou a vender um veículo para quitar dívidas anteriores.
“O endividamento nos impede de honrar compromissos financeiros com fornecedores e instituições bancárias”, afirmou.
Sistema FAEP cobra medidas urgentes
O Sistema FAEP alerta que o avanço do endividamento rural coloca em risco não apenas a continuidade das atividades no campo, mas também a produção de alimentos e o desenvolvimento econômico do Paraná.
A entidade defende a criação urgente de programas de renegociação de dívidas e novas linhas de crédito voltadas aos produtores rurais.
Na próxima terça-feira, o Senado deve votar o Projeto de Lei 5.122/23, que prevê a renegociação de dívidas rurais com recursos do Fundo Social do Pré-Sal. O Sistema FAEP acompanha a tramitação da proposta e mantém diálogo com parlamentares em busca de alternativas para aliviar a situação financeira do setor.