Os produtores de leite brasileiros passam a contar com uma nova ferramenta para garantir mais previsibilidade e segurança financeira na atividade. Desde o dia 13 de maio, entrou em funcionamento o chamado mercado futuro do leite, mecanismo que permite negociar contratos com preços definidos para datas futuras, reduzindo os riscos causados pelas oscilações do mercado.
A iniciativa foi desenvolvida com participação direta do Sistema FAEP, em parceria com a StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a entidade participou ativamente da construção da solução até a consolidação da ferramenta. “O desenvolvimento da ferramenta teve atuação direta do Sistema FAEP, que participou ativamente até chegar a essa solução”, destacou.
No mercado futuro, os contratos são negociados diretamente entre as partes, no chamado mercado de balcão, sem necessidade de listagem em bolsa. A proposta funciona como uma ferramenta de hedge, protegendo produtores e indústrias das variações bruscas de preços.
Para Ronei Volpi, que até recentemente presidia a Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, a novidade representa um avanço histórico para o setor. “Agora, com a ferramenta, o produtor pode travar o preço e saber quanto vai receber lá no futuro. Europa, Estados Unidos e outras commodities do Brasil já vinham utilizando”, afirmou.
Com os valores previamente definidos, o produtor ganha mais segurança para acessar crédito rural, planejar investimentos e ampliar a produtividade da propriedade.
A ferramenta está disponível para produtores e indústrias de todos os portes. Para utilizar, basta possuir conta em uma corretora habilitada. Conforme explica Guilherme Dias, assessor técnico da CNA, a comercialização física do leite permanece igual. “Vai contribuir para que o produtor tenha uma remuneração adequada pelo produto, onde eventuais perdas no mercado físico serão compensadas pelo contrato financeiro”, explicou.

Paraná é destaque nacional na produção de leite
O Paraná ocupa atualmente a posição de segundo maior produtor de leite do Brasil, atrás apenas de Minas Gerais, com produção superior a quatro bilhões de litros por ano. As principais bacias leiteiras do Estado estão concentradas nas regiões dos Campos Gerais e Sudoeste.
Para Eduardo Lucacin, presidente da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite e vice-presidente do Conseleite-Paraná, o mercado futuro representa uma transformação para toda a cadeia produtiva.
“É uma revolução. É uma ferramenta importantíssima de controle e previsibilidade”, afirmou Lucacin, que também é produtor rural em Mariluz, no Noroeste do Paraná.
Desde o lançamento da ferramenta, a StoneX já passou a utilizar indicadores do Cepea para a liquidação dos contratos, envolvendo produtos como leite UHT, queijo muçarela e leite em pó industrial.
Lucacin destaca que os produtores já conseguem visualizar os preços projetados até o final do ano. “Hoje, com a nova ferramenta, já tenho possibilidade de ver o preço do mercado futuro de dezembro e tomar decisões em cima disso”, comentou.
Conseleite Paraná é referência no setor
Criado há mais de duas décadas, o Conseleite Paraná se consolidou como uma das principais referências na formação de preços do leite no Estado. O sistema calcula valores de referência que orientam negociações entre produtores e indústrias.
“O valor de referência calculado pelo Conselho é determinante para a negociação de leite da maioria dos produtores do Paraná”, ressaltou Lucacin.
O modelo desenvolvido no Paraná foi replicado em diversos Estados brasileiros, como Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rondônia e Mato Grosso.
Os dados históricos e indicadores do Conseleite Paraná estão disponíveis no site do Sistema FAEP.