Artigo: Lentes

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Atualizado há 13 anos

Por Vanderlei Woytowicz

Para alguém muito especial.

O que eu sinto, é apenas o que eu sinto, mas não posso simplesmente fingir que isso não existe ou que não é real, porque é. Faz mais ou menos quatro meses que as lentes da vida giraram e ainda procuram por uma focalização não encontrada, faz mais ou menos quatro meses que o programa de edição de fotos deu pane e eu só consigo ser natural, faz mais ou menos quatro meses que o zoom alcançou o branco do olho e os cílios em movimento. Faz mais ou menos cinco horas que pensava no que escrever, e, desisti de pensar e aqui estão meus dedos digitando as palavras que irão ao seu encontro. Poderia juntar uma dúzia de palavras bonitas e fazer versos e rimas, mas tudo seria clichê, resolvi ser coração, sincero para mim e pra você.

Amar.

Sem medo.

Alguém.

No portão.

Ou na cama.

Toda a minha estrutura física enrijece de vontade dos dois corpos colados, que deslizam sobre a pele, florescendo calor, amadurecendo a textura das mãos, se encontrando na união de luz. Pode ser que tudo que eu diga eu já tenha um dia falado ou pensado em dizer, mas vou frisar, sublinhar, deixar em caixa alta e em negrito, para que não haja dúvidas do coração que voa.

Te espero

Onde quer que esteja.

Para ver o céu.

Na grama.

Ou sobre o véu.

Não consigo imaginar não amar os defeitos, não acolher os problemas, não compartilhar vida com alguém que faz as minhas pulsões vibrarem feito harpa tocada sobre as nuvens, tudo que eu queria era poder te encontrar, te abraçar. Ter nos braços a sintonia sentida pela idealização que não quero que seja momentânea. Quem sabe não seja a hora, quem sabe os ponteiros ainda não se alinharam sobre os nossos dias. Eu não sei. Mas se você souber espero por uma resposta, ou pelo menos por um sinal, tudo é artificialmente elaborado nas nossas cabeças, mas sobre o peito, o sentimento não é fração. É totalidade.

Os dedos estremecidos conseguem contar apenas vinte e oito hoje, não falta nem sobra, é feito cronômetro que não quer funcionar, quero a pureza e toda a fantasia que vem depois dos vinte e sete. Não vamos anular a alma, ela não sabe falar, precisamos estabelecer comunicação direta da minha com a sua, talvez possamos entender o que se passa no mundo, no meu, no teu, na vida do futuro e na vida de hoje. Agora, vem deitar comigo e ouvir a chuva. Com amor: O poeta.

Vanderlei Woytowicz é acadêmico do curso de Psicologia da Fundação Universidade do Contestado – FunC Porto União

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