Por Ivo Zanoni
Sem que percebamos, a espiral inflacionária é criada nos balcões das lojas e nos escritórios das fábricas, e, quiçá das oficinas de artesanato e nos escritórios oficiais das prefeituras, dos Estados e da União, principalmente nas estatais.
O primeiro hábito inflacionário é reajustar os preços no início de cada ano, sem motivo, simplesmente porque é um novo ano. Hábito comum é repassar a inflação para os preços, sem consultar o mercado. O mercado é que determina os preços e não a inflação passada. Você pode repassar a inflação passada para os preços, mas o mercado só aceitará o novo preço se você exercer alguma espécie de monopólio, pois sempre existe a possibilidade de substituição de seu produto ou serviço por outro igual, melhor ou pior, dentro da lei da oferta e da demanda (procura). Daí o CADE combater os monopólios.
Outro hábito é reajustar preços quando alguma empresa detém domínio do mercado (por cartel ou monopólio), para ampliar sua margem de lucro. Monopólio á a situação em que uma determinada empresa fabrica ou
distribui quase toda a quantidade de um produto na região considerada,
com ausência de concorrência. O monopólio pode ocorrer quando uma
empresa detém concessão a prazo muito longo (exemplo, 20 anos) para
serviço público, tal como o transporte público de pessoas e, como não
sofre concorrência por este longo período, exerce pressão para o aumento
das tarifas cobradas dos usuários e diminui a qualidade dos serviços.
O cartel é quando um grupo de empresas domina o mesmo espaço de
mercado, e tenta impor preços mais altos, eliminado a concorrência entre si, por acordo formal ou tácito.
Todos estes hábitos provocam a ocorrência da espiral inflacionária, quando cada um pratica reajuste um pouco superior à inflação para garantir-se, na dúvida quanto à real desvalorização ocorrida. Assim, o índice começa a incrementar-se pouco a pouco até atingir níveis preocupantes.
Quem sofre mais com a inflação é o assalariado, considerado como tal o funcionário público, que, para reajuste do salário, depende de negociação e, não raro, de realização de greve como instrumento legal para pressionar o patronato.
É claro que o fenômeno inflacionário tem muitas outras facetas, mas,
normalmente, como dito em artigos já publicados na coluna “anotações” do
jornal O Comércio, de União da Vitória e Porto União, em 1989 e 1990, constante dos seus arquivos históricos, a inflação é criada e empacotada no balcão.
Ivo Zanoni (Cátedra nº 138, Patrono Raymundo Marchi, Academia Nacional
de Economia)