Por Mariana Honesko

Há pouco menos de uma semana, moradores das Cidades Irmãs lutam contra um ataque aéreo potente. Não se tratam de aviões ou terrorismo. A luta foi contra inimigos bem menores, mas potencialmente agressivos. Trata-se, na verdade, dos pernilongos, que parece terem saído de seus esconderijos ao mesmo tempo e com uma vontade imensa de sugar qualquer coisa que se mova.
Não é motivo para pânico mas, para os profissionais da área da Vigilância Sanitária, a presença dos pernilongos comuns – ainda que grandes e com picadas doloridas, os que saíram da toca não transmitem doenças – pode indicar a presença de criadouros interessantes para a proliferação do mosquito da Dengue, este sim, nocivo à saúde.

O excesso na quantidade dos pernilongos mais comuns, cientificamente chamados de “culex”, é fruto de uma receita também interessante para o Aeds aegypti. “Chuva e sol. Isso forma os criadouros e é suficiente para a reprodução dos insetos”, explica o inspetor da Vigilância Sanitária da 6ª Regional de Saúde de União da Vitória, Francisco Carlos Honorato. Vasilhames, tampas de garrafas e lixo, quando acumulam água, são locais ideais para a reprodução das espécies. As condições climáticas que favorecem a combinação atinge com força os meses de agosto à março. “A chuva é nossa vilã e o frio nosso aliado”, afirma Honorato. “Na verdade, pode chover, mas a população precisa colaborar”, enfatiza.
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, o Paraná acumula 3.700 casos de Dengue. O número é estável e já menor na comparação com os meses de maior calor e chuvas. Na região de União da Vitória não há registros.
Voando baixo em busca de sangue
O pernilongo comum, que chamou a atenção pela quantidade na região, não tem predador oficial mas, quando os criadouros estão nas valetas e rios, por exemplo, tem uma vida mais curta. Por lá, os sapos lideram a eliminação dos exércitos de um jeito mais rápido. “Mas em casa, no quintal, não temos predadores”, afirma o inspetor da Vigilância.

O jeito é improvisar e ter atitude certa. “O ideal é que os criadores sejam eliminados”, orienta Honorato. Em casa, manter os ambientes arejados e menos úmidos, também pode ajudar. “O pernilongo gosta de lugares quentes e úmidos”, explica a enfermeira Aline Bonete Cordeiro, também da 6ª Regional. É por isso que é bem comum encontrar centenas deles atrás de cortinas ou embaixo de móveis. Além de protegidos, a umidade dos lugares favorece o “aconchego” dos bichos. “Tem pessoas que também usam plantas, que liberam a citronela, para espantar os pernilongos”, ensina.
Quem não tiver disponível a alternativa, precisa apenas de um pouco de paciência. Os pernilongos têm vida curta, em geral não passam dos 35 dias, mas aproveitam o pouco mais de um mês para experimentar as tipagens sanguíneas. “Apenas as fêmeas se alimentam do sangue. Elas precisam das proteínas para terem seus ovos”, lembra Honorato. Do ovo à vida adulta, o pernilongo precisa de apenas dez dias. Seus pousos representam dores para quem os abriga. Resolver é simples: basta um tapa, bem no alvo, para eliminar um dos bichos da linhagem. É o fim da sua curta – mas produtiva – vida.