Morre criança que tomou soro em vez de vacina; causa não tem relação

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Atualizado há 4 meses

Dez meses depois de 11 bebês receberem uma pequena dose de soro antiofídico no lugar de vacina na maternidade do Hospital Santa Cruz de Canoinhas (HSCC) uma delas, o pequeno José Alfredo de Campos, morreu nesta terça-feira, 2, no Hospital Materno Infantil de Joinville.

Segundo a Secretaria de Saúde de Major Vieira, cidade onde a criança vivia com a família, ele teria passado mal, com dificuldade em respirar, na segunda-feira, dia 1º.
Os pais levaram o bebê ao Hospital São Lucas, onde ele recebeu o primeiro atendimento. Como o caso demonstrava gravidade, o hospital de Major Vieira providenciou a transferência para a unidade hospitalar de Joinville, referência regional em atendimento pediátrico.
O Serviço Móvel de Urgência (Samu) fez a transferência. José Alfredo teria chegado bem em Joinville, mas no dia seguinte seu quadro piorou, ele foi intubado e acabou falecendo de insuficiência respiratória perto das 17 horas desta terça, 2. Seu corpo foi sepultado no Cemitério de Rio Claro, interior de Major Vieira, no final da tarde desta quarta-feira, 3.

Em um áudio desconhecido que circula em grupos de WhatsApp, um homem afirma que a causa da morte estaria relacionada ao soro recebido de maneira equivocada em julho do ano passado no HSCC. Ele ainda diz que outra duas das 11 crianças teriam morrido da mesma causa. Em ambos os casos, o JMais constatou que não há verdade.

A reportagem tentou contato com o pai da criança, mas seu celular está desligado ou fora de área.

CAUSA

O JMais confirmou com a direção do HSCC, a secretária de Saúde de Canoinhas, Francieli Costa Colla, a prefeita de Major Vieira, Aline Ruthes, e o pai de uma das 11 crianças, que está bem, que não confere a informação de que teriam morrido outras duas das 11 crianças.

O Município de Canoinhas monitorou todos os bebês residentes no Município e nenhuma apresentou nenhum problema de saúde que pudesse ter relação com o soro. São nove no total. Apenas duas crianças eram de fora. João Alfredo, de Major Vieira, e a outra de Papanduva.

O HSCC disse que acompanhou as famílias por dois meses e deixou recomendação expressa aos pais para que procurassem a unidade hospitalar se percebessem qualquer problema de saúde que os filhos pudessem apresentar. Não houve contato de nenhuma família em quase um ano. Em nota, o HSCC informou a causa da morte da criança. Leia na íntegra:

“Conforme informações levantadas pela equipe assistencial, a causa do óbito do menor José Alfredo de Campos foi bronquiolite. A bronquiolite é uma infecção respiratória aguda que acomete principalmente crianças menores de dois anos, sendo causada, na maioria dos casos, pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). A doença provoca inflamação dos bronquíolos, dificultando a passagem de ar e podendo causar insuficiência respiratória grave, especialmente em bebês prematuros ou com baixa imunidade. Notícias recentes divulgadas em 2026 registraram aumento de internações e óbitos infantis relacionados à bronquiolite em diversas regiões do país. Importante esclarecer que a bronquiolite causada pelo VSR não possui relação com a vacina contra Hepatite B nem com a administração de soro antibotrópico, utilizados para finalidades médicas completamente distintas. Também deve ser considerado que o protocolo municipal específico de prevenção contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) passou a ser adotado apenas ao final do ano de 2025, razão pela qual muitas crianças anteriormente não tiveram acesso à imunização preventiva disponível atualmente. Especialistas destacam que a gravidade da doença está associada à rápida evolução respiratória em crianças pequenas, sendo fundamentais o diagnóstico precoce, o acompanhamento médico adequado e as medidas preventivas específicas contra o VSR para redução de complicações e óbitos infantis.“

Tendo em vista que todas as crianças que receberam o soro foram acompanhados por dois meses sem que houvesse qualquer intercorrência, “todos foram orientados a entrar em contato com o hospital se observassem qualquer problema com as crianças. Até este momento ninguém procurou o hospital, inclusive os pais deste menor falecido”, acrescenta o HSCC.

VSR faz disparar internações de bebês no Brasil; Fiocruz alerta para avanço de vírus respiratórios

Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças menores de dois anos seguem em alta no Brasil, impulsionados principalmente pelo vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite. Segundo a Fiocruz, o VSR respondeu por 41,5% dos casos recentes de SRAG com diagnóstico viral confirmado.

O boletim Infogripe de maio também aponta crescimento das infecções por Influenza A, especialmente nos estados do Sul, incluindo Santa Catarina. O vírus da gripe foi responsável por mais da metade das mortes por SRAG registradas nas últimas quatro semanas, atingindo principalmente idosos.

Atualmente, todos os estados brasileiros estão em situação de alerta para doenças respiratórias, e Santa Catarina está entre as unidades da federação com tendência de aumento dos casos nas próximas semanas.

Em 2026, o país já registrou mais de 57,5 mil casos de SRAG e 2.660 mortes. Especialistas reforçam a importância da vacinação contra a gripe e do imunizante contra o VSR para gestantes, além do uso de anticorpos monoclonais disponibilizados pelo SUS para proteger bebês prematuros e grupos de maior risco.

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