A brucelose no Paraná voltou ao centro das discussões do setor agropecuário. Representantes do Sistema FAEP, órgãos de defesa sanitária, universidades, cooperativas e entidades do setor produtivo se reuniram no dia 2 de junho para definir estratégias voltadas ao combate e à erradicação da doença no Estado.
Durante o encontro, foi definida a reativação imediata do comitê estadual responsável pelo tema. O objetivo é construir um plano de ações concretas até o fim de junho, com medidas de curto e médio prazo para reduzir os focos da enfermidade e fortalecer a vigilância sanitária.
“O Paraná venceu a batalha contra a febre aftosa e agora precisa concentrar esforços para erradicar a brucelose”, destacou o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

Baixa certificação preocupa setor
Dados da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) mostram que o Estado possui cerca de 155,7 mil propriedades com criação de bovinos. No entanto, apenas 124 delas possuem certificação oficial de livre de brucelose e tuberculose.
Em 2025, foram registrados 102 focos e 266 casos da doença no Paraná. Já nos primeiros quatro meses de 2026, outros 45 focos foram identificados.
Outro dado que preocupa as autoridades é o índice de vacinação. Em 2025, apenas 70,1% das bezerras foram imunizadas, percentual inferior à média nacional, que alcançou 76,3%.
Vacinação e vigilância estratégica
A meta do Paraná para 2026 é elevar a cobertura vacinal para pelo menos 80% do rebanho-alvo. O Estado foi pioneiro no Brasil ao tornar obrigatória a vacinação contra a brucelose.
Especialistas alertam, porém, que apenas ampliar a vacinação não será suficiente para alcançar a erradicação da doença. Segundo a professora da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Elaine Maria Seles Dorneles, é necessário investir em vigilância ativa, monitoramento estratégico e modernização das normas do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT).
Ela também chamou atenção para a necessidade de regularizar o abastecimento de vacinas, já que falhas na distribuição podem comprometer a adesão dos produtores ao programa.
Paraná quer liderar combate à doença
A discussão sobre a brucelose no Paraná ocorre em um momento em que o Estado busca consolidar seu elevado status sanitário, após a conquista do reconhecimento como área livre de febre aftosa sem vacinação.
Para o Sistema FAEP e os demais integrantes do grupo de trabalho, a erradicação da brucelose representa um passo estratégico para fortalecer a pecuária paranaense, ampliar mercados e garantir mais segurança sanitária para produtores e consumidores.


