Por Mariana Honesko

Os dias mais frios convidam para a apreciação de uma das iguarias mais tradicionais da região Sul. O consumo do pinhão é popular mas, no Paraná e em Santa Catarina, só ocorre a partir da liberação dos órgãos ambientais para colheita e comercialização. As ações que ocorrem antes das datas determinadas pela legislação podem ser fiscalizadas e punidas. Conforme a equipe do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), há muito tempo não há apreensões em União da Vitória. A última, contudo, recolheu oito mil quilos do produto.
As regras são distintas. Em Santa Catarina, a colheita e venda do pinhão está permitida desde o dia 1º. Já no Paraná, a permissão só será dada no dia 15, quando ficam liberados transporte, colheita e venda do pinhão. A medida permite o amadurecimento das pinhas e preservação da espécie. Sem a regra, a retirada da natureza da semente ainda imatura ocorria de maneira desordenada, o que comprometia o ciclo natural. “O melhor de todos é o pinhão ‘juntado’, aquele que cai no chão, sozinho”, lembra o agente ambiental da agência do IAP, Renato Roberto Hasse, justificando a necessidade do respeito da maturação natural da pinha. “Dessa forma, garantimos a continuidade de sua existência e também podemos saborear os nosso pratos típicos nessa época”, explicou o presidente do IAP, Luiz Tarcísio Mossato Pinto, em texto enviado pela assessoria de imprensa.

As normas e as instruções para a colheita foram editadas e estão estabelecidas na portaria 059/2014. O objetivo da regulamentação é, ainda, garantir o consumo sustentável e a reprodução da araucária, árvore ameaça de extinção e símbolo do Paraná. Antes do dia 15, qualquer pessoa flagrada em algumas dessas situações poderá responder processo administrativo, criminal e receber o auto de infração ambiental. A multa é de R$ 300 para cada 60 quilos da semente.
A região de União da Vitória é uma das líderes na produção e venda do pinhão. Mas, o consumo fora de época é questionável. Mesmo quem tem acesso ao produto apenas nos supermercados e casas de fruas, por exemplo, pode ajudar no combate da ilegalidade. É simples. “Se o consumidor perceber uma casa mais esbranquiçada, por exemplo, não deve comprar. Isso é sinal de que o pinhão não está maduro ainda”, lembra Hasse. A regra não vale para todos os produtores mas, de modo geral, é a ganância a motivadora da venda antecipada: quanto maior o peso, maior será o valor arrecadado nos estabelecimentos comerciais.
Outras proibições
Estão proibidas também o abate dos pinheiros nativos adultos portadores de pinhas neste mês e em maio e junho. A exceção é para os pinheiros autorizados por motivos de riscos, de interesse social, para construções em áreas urbanas e árvores de reflorestamento.
Pinhão do “mais cedo” e do “mais tarde”
A produção do pinhão tem interferência popular. Pelo censo comum, por exemplo, há a defesa de dois tipos de sementes: o “do cedo” e o “do tarde”, ou seja, um amadurece no início da temporada e outro do final. A diferença entre eles é de cerca de 30 dias mas, ainda que pequena, fundamental. O período de um mês ou pouco mais, garante a maturação completa e o encerramento de um ciclo natural. O pinhão “do cedo”, popularmente também chamado de pinhão São José, já está pronto para a colheita desde o final de março. O “do tarde”, por outro lado, pode ser consumido apenas a partir da metade deste mês. Até lá, eles seguem “verdes” e inadequados para o consumo.
Pinhão, rico em fibras
Especialistas investigam a qualidade dos nutrientes encontrados no pinhão. Ao que tudo indica, o alimento se destaca na prevenção de problemas cardiovasculares e intestinais. As fibras, por exemplo, favorecem a eliminação de sais e reduzem as taxas de colesterol. O coração fica ainda mais protegido, já que a semente, cozida, é uma importante fonte de potássio. Apesar de calórico – são 160 calorias para uma porção de 100 gramas – o legítimo representante do Sul, é cheio de carboidratos complexos, que estimulam o equilíbrio da flora intestinal.