O mercado futuro do leite começa a ganhar espaço entre os produtores brasileiros como uma alternativa para aumentar a previsibilidade da atividade e reduzir os impactos das oscilações de preços. A ferramenta foi um dos principais temas debatidos nesta quinta-feira (16), durante a reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema FAEP.
Disponível desde 13 de maio, o mecanismo permite que produtores e compradores negociem contratos diretamente, definindo antecipadamente o preço do leite para uma data futura. A modalidade funciona no mercado de balcão, sem negociação em bolsa, oferecendo maior segurança financeira ao setor.

Mais previsibilidade para o produtor
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, destacou que o mercado futuro do leite representa um importante avanço para a cadeia produtiva.
“Essa ferramenta traz mais segurança para os nossos produtores de leite. O mercado futuro já é uma realidade para outras commodities agrícolas, como soja, milho e boi gordo. É questão de tempo para os pecuaristas se familiarizarem e usufruírem dos benefícios”, afirmou.
Para explicar o funcionamento da ferramenta, a comissão recebeu a gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, Marianne Tufani, que apresentou detalhes sobre os contratos futuros e esclareceu dúvidas dos participantes.
Segundo ela, o primeiro passo para utilizar a modalidade é abrir uma conta em uma corretora especializada, procedimento que não possui custo, embora exija documentação e análise cadastral.
Ferramenta já é realidade no mercado internacional
O presidente da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite, Eduardo Lucacin, ressaltou que outras cadeias produtivas já utilizam amplamente esse tipo de proteção financeira.
“Todas as demais cadeias, como a da soja, milho e boi gordo, aprenderam a usar. Nós também vamos nos beneficiar com isso. É preciso conhecer bem o nosso negócio e os nossos custos para saber o melhor momento de travar o preço”, afirmou.
O desenvolvimento da ferramenta contou com a participação do Sistema FAEP, StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). De acordo com Marianne, cerca de 70% dos participantes do mercado mundial de leite já utilizam contratos futuros.
Energia, sanidade e rentabilidade também preocupam
Além do tema financeiro, os integrantes da comissão discutiram os custos de produção, os problemas recorrentes no fornecimento de energia elétrica e questões sanitárias.
Produtores relataram prejuízos causados por quedas de energia, como perda de leite e danos em equipamentos.
“O Sistema FAEP tem atuado em Brasília e junto ao Ministério Público Estadual para cobrar melhorias da concessionária. Mas talvez tenhamos que pensar, como comissão, em alternativas para minimizar esses prejuízos”, destacou Lucacin.
No campo sanitário, o combate à brucelose voltou a ser apontado como prioridade. O vice-presidente da comissão, Roger van der Vinne, reforçou que o controle da doença é essencial para aumentar a competitividade internacional da pecuária leiteira.
Também foi debatido o potencial de agregação de valor aos derivados do leite, especialmente por meio da produção de sólidos, proteína do soro (whey) e concentrado proteico, considerados oportunidades para ampliar a rentabilidade dos produtores.