Ferrovia histórica entre Mafra e Caçador pode ser reativada em SC

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Atualizado há 2 meses

Um trecho ferroviário sem operação regular desde a década de 1990 pode ganhar uma nova vida em Santa Catarina.

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) está analisando um pedido formal para a reativação da ligação entre Mafra e Caçador, no Meio-Oeste catarinense, que possui 368 quilômetros de extensão.

A solicitação foi feita pelo Codeplan (Consórcio de Desenvolvimento Econômico do Planalto Norte).

O projeto busca a retomada da ferrovia com base no Marco Legal das Ferrovias, utilizando o modelo de autorização combinado com uma parceria público-privada (PPP). Pela proposta, caberá ao Governo de Santa Catarina solicitar a outorga para estruturar o modelo de parceria.

Como o trecho não está incluído nos futuros lotes de concessão da Malha Sul — previstos para irem a leilão em 2027 —, a iniciativa encontrou um caminho próprio para buscar viabilidade.

Projeto prevê cargas, “porto seco” e “ferrovia enxuta”

A proposta foi desenhada sob o conceito de uma “ferrovia enxuta”, aproveitando o traçado histórico já existente sem a necessidade de construir variantes, o que ajudaria a conter os custos de implantação.

Entre as principais apostas econômicas estão:

  • Transporte de cargas: O projeto prevê a criação de um terminal de cargas, estruturado como um porto seco na região.

  • Estudos prévios: Antes de qualquer obra ou operação, o conselho solicitou a elaboração de um EVTEA (Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental) para detalhar os custos, os prazos de recuperação da linha, o modelo ideal de locomotiva e o volume estimado de mercadorias.

Histórico e potencial turístico

Além do impacto logístico e econômico, o projeto aposta no turismo ferroviário. Antigas estações situadas em municípios como Mafra, Porto União, Irineópolis, Canoinhas e Três Barras poderão ser revitalizadas e integradas a roteiros turísticos regionais.

A ferrovia possui forte relevância histórica para Santa Catarina. A construção do trecho no início do século passado — parte da antiga Ferrovia do Contestado — esteve diretamente ligada ao contexto que culminou na Guerra do Contestado (1912-1916).

O processo de reativação segue em análise pela área técnica da ANTT.

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