A experiência profissional no Sistema FAEP inspirou a instrutora Aline Loise Martins a transformar a qualidade da água no meio rural em tema de sua tese de doutorado na Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Desenvolvido entre 2019 e 2023, o trabalho analisou como os materiais do Programa Agrinho podem auxiliar professores a abordar questões do agronegócio e da realidade rural nas aulas de matemática.
Intitulada “Algumas potencialidades do programa Agrinho para a modelagem matemática na perspectiva crítica”, a tese foi defendida e aprovada em 2024, garantindo a Aline o título de doutora.

Realidade transformada em aprendizado
Reconhecido por promover educação e cidadania há mais de três décadas, o Agrinho permitiu que a pesquisadora explorasse uma nova abordagem pedagógica.
Aline relacionou os conteúdos trabalhados nas escolas com a modelagem matemática, metodologia que transforma situações vivenciadas pelos estudantes em problemas matemáticos. A partir dos cálculos e da análise dos dados, os alunos são estimulados a buscar soluções e desenvolver o pensamento crítico.
Formada em Agronomia e instrutora do Sistema FAEP desde 2011, Aline conta que o interesse pela pesquisa surgiu durante sua participação nas atividades do programa.
“Fiquei curiosa em entender como os conceitos matemáticos eram trabalhados no Agrinho e no dia a dia das escolas”, explica.
Qualidade da água chega à sala de aula
A pesquisa foi estruturada a partir da análise dos materiais didáticos distribuídos pelo Agrinho. O objetivo foi identificar como o conteúdo poderia contribuir para levar o debate sobre a qualidade da água no meio rural às salas de aula.
“Buscamos identificar como o material poderia contribuir para levar o tema da qualidade da água no meio rural para a sala de aula”, afirma Aline.
Os resultados oferecem aos professores novas possibilidades para utilizar os materiais do programa, aproximando a matemática de questões ambientais, sociais e produtivas presentes na rotina dos estudantes.
“O Agrinho se tornou referência estadual e até mesmo nacional, inspirando outros Estados. Trabalhos como o da Aline ampliam ainda mais esse alcance, levando temas importantes para as escolas e contribuindo para a formação dos alunos, futuros cidadãos paranaenses”, destaca o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.
Três décadas de Agrinho
Criado em 1995 pelo Sistema FAEP, o Agrinho está presente em dez Estados brasileiros. Somente no Paraná, a iniciativa envolve anualmente cerca de um milhão de alunos e mais de 80 mil professores.
O programa distribui materiais didáticos atualizados para escolas públicas e privadas. O conteúdo atende diferentes faixas etárias, desde a alfabetização até os anos finais do Ensino Fundamental.
Ao todo, são 25 materiais paradidáticos, incluindo fichas de alfabetização e revistas em quadrinhos. Os professores também recebem conteúdos técnicos e metodológicos, além de versões digitais, videoaulas e recursos interativos.
Na edição de 2025, o Agrinho alcançou mais de 1,1 milhão de alunos de 2.155 escolas, com a participação dos 399 municípios paranaenses.
Concurso estimula o protagonismo
Considerado um dos principais momentos do programa, o Concurso Agrinho conta com 15 categorias, incluindo Desenho, Redação, Robótica e Programação.
Na edição de 2025, a iniciativa registrou um recorde: 2.594 participantes foram premiados pelos trabalhos e projetos desenvolvidos. O resultado reforça a contribuição do programa para a criatividade, a inovação, a cidadania e o protagonismo estudantil.