O Paraná chegou a dez tornados registrados somente em 2026, após a confirmação do fenômeno que atingiu Piraí do Sul, nos Campos Gerais, na tarde deste sábado (8).
Um possível 11º tornado, registrado em Candói, ainda está sendo analisado pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).
Os números chamam a atenção para uma característica geográfica do Estado. A região Sul do Brasil, formada por Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, integra, juntamente com Paraguai, nordeste da Argentina e Uruguai, a segunda região do mundo mais propensa à ocorrência de tornados e outros eventos de ventos extremos. O principal corredor está localizado na região central dos Estados Unidos.
O episódio mais recente ocorreu em Piraí do Sul e provocou estragos principalmente na área rural do município, aproximadamente 30 quilômetros distante da região central. Segundo levantamento da Defesa Civil, 20 residências foram afetadas, deixando 20 pessoas desalojadas.
As famílias atingidas foram acolhidas por parentes e não houve registro de vítimas. A Defesa Civil distribuiu lonas para imóveis que sofreram destelhamentos.
Entre os locais mais afetados estão as comunidades de Capinzal, Jararaca e Fundão, além do bairro Santo André, que chegou a ficar isolado devido à queda de árvores e galhos sobre as vias.
Neste domingo (9), equipes da Defesa Civil, Simepar, Corpo de Bombeiros, prefeitura e outros órgãos estaduais continuavam trabalhando na região. Um Posto de Comando foi instalado no quartel da Brigada Comunitária para coordenar as ações.
Máquinas também foram utilizadas para retirar árvores e liberar os acessos às comunidades, enquanto técnicos do Simepar realizavam levantamentos em campo para analisar as características e a intensidade do fenômeno.
Cruz Machado está entre municípios atingidos em 2026
O elevado número de ocorrências não se restringe aos Campos Gerais. Entre os dias 28 e 30 de junho, o Paraná registrou seis tornados em apenas três dias.
Após análises de campo, imagens de drones, satélites e informações dos radares meteorológicos, o Simepar confirmou fenômenos em Turvo, Inácio Martins, Nova Cantu, Laranjeiras do Sul, Cruz Machado e Reserva.
Em Reserva, o tornado ocorrido em 28 de junho foi classificado como F2, categoria associada a danos consideráveis. Nova Cantu registrou um tornado F1.
No dia 30, foram confirmados tornados F1 em Turvo, Laranjeiras do Sul e Inácio Martins. Outro tornado se formou em Inácio Martins e avançou em direção a Cruz Machado, mas não recebeu classificação de intensidade devido à ausência de danos que permitissem essa avaliação.
Antes desses episódios, outros tornados já haviam sido identificados no Paraná neste ano, incluindo ocorrências em Mercedes e São José dos Pinhais, em janeiro, e Foz do Iguaçu, em fevereiro.
Com o fenômeno confirmado em Piraí do Sul neste sábado, o Estado chegou à marca de dez ocorrências em 2026. Um episódio registrado em Candói permanece sob análise do Simepar.
Possível tornado causa destruição em Inácio Martins na divisa com Cruz Machado
Paraná está no chamado “corredor dos tornados”
Especialistas explicam que a concentração desses fenômenos está relacionada às características geográficas e atmosféricas do Sul do Brasil.
O consultor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Francisco Mendonça, explica que o Paraná está inserido em uma região naturalmente favorável à ocorrência de ventos extremos.
Áreas próximas às bacias dos rios Iguaçu e Paraná, além do Oeste paranaense, Oeste catarinense, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, apresentam extensas regiões relativamente planas, condição que favorece a circulação e aceleração dos ventos.
Outro fator observado pelos pesquisadores é o aumento da quantidade de energia disponível na atmosfera. Temperaturas elevadas dos oceanos e alterações nos padrões climáticos podem contribuir para a formação de tempestades severas.
Especialistas também ressaltam que o crescimento no número de registros não necessariamente significa que fenômenos desse tipo não ocorriam anteriormente. O avanço dos radares meteorológicos, imagens de satélite, drones, celulares e estudos científicos ampliou significativamente a capacidade de identificar e confirmar tornados no Brasil.
Estado mantém atenção para tempestades
Após o tornado de Piraí do Sul e outros episódios de tempo severo registrados no Paraná neste fim de semana, órgãos meteorológicos mantêm o acompanhamento das condições atmosféricas no Estado.
Além dos tornados, tempestades severas podem provocar rajadas intensas de vento, chuva forte, descargas elétricas e queda de granizo.
O Simepar e a Defesa Civil reforçam a importância do acompanhamento dos alertas meteorológicos, principalmente durante períodos de maior instabilidade, quando mudanças nas condições do tempo podem ocorrer rapidamente.
O histórico recente reforça a necessidade de atenção: em pouco mais de sete meses, o Paraná já contabiliza dez tornados confirmados em 2026, incluindo uma ocorrência que avançou até Cruz Machado, colocando também a região Sul do Estado no mapa dos fenômenos registrados neste ano.