Uma história de coragem, raciocínio rápido e amor de pai marcou a tarde de terça-feira, 11, na encosta da Serra do Corvo Branco, no município de Grão-Pará, Sul de Santa Catarina. Um jovem de 19 anos foi salvo pelo próprio pai após sofrer um grave acidente com uma motosserra durante o trabalho de corte de árvores em uma área de mata densa e terreno íngreme.
O acidente ocorreu quando o equipamento atingiu a perna esquerda do jovem, causando um ferimento profundo com sangramento intenso.
Percebendo a gravidade da situação e o risco iminente de morte por hemorragia, o pai agiu de imediato: tirou a própria camiseta de lycra e improvisou um torniquete no membro atingido, conseguindo conter temporariamente o fluxo sanguíneo.
Acesso impossibilitado e resgate complexo
Após conter os primeiros socorros, o pai gritou por ajuda e foi ouvido por uma terceira pessoa, que acionou o Corpo de Bombeiros Militar (8º BBM). No entanto, a chegada por via terrestre revelou-se extremamente difícil. As condições precárias da estrada fizeram com que a viatura dos bombeiros ficasse atolada a quilômetros do local exato do acidente.
Diante do impasse, o Serviço Aeromédico (SAER) foi acionado para efetuar o resgate aéreo. No entanto, o primeiro sobrevoo revelou barreiras adicionais: a mata fechada, o terreno em um barranco com cerca de 60 graus de inclinação e a chuva constante impediam a visualização exata da vítima e a aproximação segura do helicóptero.
Fogueira sob chuva e abertura de clareira
Mesmo debaixo de chuva, o pai conseguiu acender uma fogueira no meio da vegetação densa para que a fumaça servisse de sinalizador visual para o helicóptero. Com a localização identificada, um operador de resgate do SAER desceu de rapel para realizar um segundo torniquete técnico na perna da vítima.
Como não havia espaço físico para o pouso e desembarque da equipe médica, o operador informou que seria necessário abrir espaço na vegetação. Sem hesitar, o pai pegou a motosserra novamente e começou a derrubar as árvores ao redor até abrir uma clareira suficiente para a aproximação da aeronave.
Com o espaço liberado, os médicos pousaram e constataram que o jovem apresentava sinais compatíveis com choque hemorrágico de grau II devido à grande perda sanguínea. Foi aplicado um novo torniquete, feito curativo compressivo e administrada medicação antes de iniciar o transporte.
“Para as equipes que participaram dessa ocorrência, o verdadeiro herói deste atendimento foi o pai da vítima. Durante aproximadamente cinco horas e meia de uma ocorrência extremamente complexa, em uma região isolada e sob condições adversas, ele fez absolutamente tudo o que estava ao seu alcance para manter o filho vivo”
— Declaração oficial do Serviço Aeromédico (SAER)
Encaminhamento hospitalar e homenagem
A remoção da vítima exigiu manobras delicadas. O jovem foi acomodado em uma maca de resgate vertical e erguido pela ribanceira íngreme até a clareira. Em seguida, foi transportado de helicóptero até Criciúma e transferido por uma unidade móvel de ambulância para o Hospital São José, onde recebeu atendimento médico especializado.
Ao término da operação, os integrantes do SAER e do Corpo de Bombeiros renderam homenagens públicas ao pai, cuja serenidade, bravura e esforço físico ininterrupto foram considerados decisivos para garantir a sobrevivência do filho.

