Uma família de Irineópolis utilizou as mídias sociais para denunciar uma situação envolvendo o que seria, segundo os familiares, “a perda de uma vida pela falta de planejamento, estrutura, e agilidade no transporte de emergência”.
Uma mulher de 85 anos morreu após ser transferida do Hospital Bom Jesus, de Irineópolis, ao Hospital São Vicente de Paulo, em Mafra, na quarta-feira, 12. De acordo com a família, a idosa sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e a demora na transferência de um hospital para o outro teria corroborado para a piora do quadro e, por consequência, a morte da mulher.

Na nota, consta a informação de que às 9h40 da quarta-feira, Maria de Lourdes Pavarin Lara deu entrada no Hospital Bom Jesus com um quadro considerado grave, mas que a ambulância só chegou para realizar o transporte ao Hospital São Vicente de Paulo, em Mafra, por volta de 11h30. O texto escrito por um familiar aponta que “o deslocamento só aconteceu após insistente cobrança e pressão da família diretamente à Secretaria Municipal de Saúde”.
Ainda conforme o texto intitulado como uma “nota de repúdio e indignação”, a justificativa fornecida na ocasião foi de que “as ambulâncias apropriadas para este tipo de transferência não pertenciam ao município, estando uma estragada e a outra já em rota”.
“É revoltante constatar que a prefeitura mantém tantos carros pequenos na garagem, praticamente um para cada funcionário, enquanto a prefeitura sofre com a total falta de ambulâncias adequadas e disponíveis para atendimentos de emergência”, consta na nota publicada.
O familiar de Maria de Lourdes descreve que, no momento em que a idosa deu entrada no Hospital São Vicente de Paulo, em Mafra, a equipe médica teria confirmado a “gravidade do atraso”. A equipe do hospital também teria ressaltado expressamente, de acordo com o que escreveu o familiar, que “o tempo para transferi-la foi excessivo e demorado demais”.
Procurada pela reportagem, a família não quis conceder entrevista.
PREFEITURA
O prefeito de Irineópolis, Juliano Pozzi Pereira (PSDB), se manifestou sobre o caso em vídeo publicado nas redes sociais oficiais da Prefeitura, ao lado da secretária municipal de Saúde, Giseli Kempinski.
No vídeo, o prefeito afirma que a nota teria sido publicada “por causa do desconhecimento de como funcionam as coisas e acabam falando o que não sabem”. Ele também disse que “tudo o que estava ao nosso alcance foi feito, inclusive o transporte”.
Na sequência, o prefeito passa a palavra para a secretária de Saúde, pedindo para que ela comente sobre a “agilidade e rapidez” com a qual teria sido providenciado o transporte para a idosa durante a situação.
De acordo com a secretária, a idosa deu entrada na unidade hospitalar às 10h04 da quarta-feira, 12, transportada pelo Corpo de Bombeiros. “A nossa equipe do hospital avaliou ela e diante do quadro de uma suspeita de AVC, foi regulado via Samu para transferência ao Hospital São Vicente de Paulo, mas o regulador em Joinville já adiantou que não teria transporte via Samu”, destacou.
A secretária fez questão de enfatizar que este transporte é de responsabilidade do Estado, e que as duas ambulâncias do Samu na área de fato estariam indisponíveis, porém, também destacou que “diante das condições clínicas naquele momento, o transporte poderia ter sido feito com a ambulância branca do município”.
A ambulância saiu do Hospital Bom Jesus às 11h31, segundo a secretária de Saúde, com destino ao hospital de Mafra. “Devido às condições clínicas, ela pode sim ser transportada em ambulância branca, que o município disponibilizou, mas se o quadro dela estivesse grave, a ambulância teria de ser do Samu e iria demorar, provavelmente, muito mais tempo”, destacou.
O prefeito seguiu afirmando que o atendimento da idosa no Hospital Bom Jesus foi ágil e disse que o transporte dela para Mafra não seria responsabilidade do município.
“Fizemos a nossa parte, infelizmente ela veio a falecer, quanto a isso não podemos opinar, e quanto à questão de que cada minuto é importante em um quadro de AVC, nós sabemos, tanto é que nós usamos a ambulância do município e mandamos um médico junto, que deixou de atender pacientes do município que poderiam vir a entrar em óbito por falta de atendimento também”, finalizou o prefeito.