O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio da 39ª Promotoria de Justiça da Capital e do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), protocolou a maior denúncia de sua história contra uma facção criminosa, acusando 164 indivíduos.
Desdobramento direto da Operação Coluna Sul — deflagrada em julho e derivada de investigações da Operação Maserati —, a ofensiva mirou uma estrutura classificada como organização criminosa ultraviolenta nos termos da nova Lei n. 15.358/2026, o que endurece as penas em caso de condenação. Além da responsabilização penal, o órgão requereu uma indenização mínima de R$ 200 mil por réu para reparar danos morais coletivos.
Diante da complexidade do processo, que soma mais de 1.500 páginas divididas em 27 capítulos, o Ministério Público solicitou o fardamento do caso em 23 ações penais para agilizar a tramitação na Justiça.
O levantamento investigativo apontou uma rígida hierarquia distribuída em 12 núcleos funcionais: 31 alvos ocupavam o topo do comando, 74 atuavam no escalão intermediário de gestão e disciplina, e 60 integravam a base operacional. Além do crime de organização criminosa, parte dos acusados responderá por tráfico de drogas e comércio ilegal de armas de fogo.
A célula investigada, denominada “Coluna Sul”, centralizava as operações do grupo em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
As apurações revelaram que a gestão do crime ocorria por aplicativos de mensagens instantâneas para transmissão de ordens, cadastramento de membros e ações disciplinares, com participação ativa de detentos do sistema prisional.
O grupo mantinha logística própria para aquisição e manejo de armas — incluindo a adaptação de equipamentos de airsoft para disparar munição real — e adotava uma diretriz interna para o recrutamento e “batismo” de adolescentes a partir dos 16 anos.
A Operação Coluna Sul mobilizou forças de segurança em seis estados e cumpriu mandados em 30 municípios catarinenses, além de estados vizinhos. Ao todo, a ação resultou na execução de 132 mandados de busca e apreensão e 147 prisões, além da apreensão de armas, munições, entorpecentes e aparelhos celulares.
A operação teve mandados de prisão e busca realizados em Canoinhas. O caso é conduzido pela 39ª Promotoria da Capital, estrutura do MPSC que conta com atribuição estadual para o enfrentamento de facções criminosas em Santa Catarina.