O modelo de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema FAEP despertou o interesse de representantes da cooperativa nigeriana Gondal Fulbe Development Initiative (GFDI). A delegação esteve na sede da entidade, em Curitiba, para conhecer iniciativas de apoio aos produtores rurais.
Durante a visita, o grupo teve contato com programas, treinamentos e serviços desenvolvidos pelo Sistema FAEP. O objetivo é buscar referências para estruturar e fortalecer o atendimento oferecido aos pequenos produtores na Nigéria.
Criada em 2025, a GFDI atua no Estado de Adamawa, no Nordeste do país africano. O trabalho é voltado principalmente aos pequenos produtores de leite e ao fortalecimento da cadeia produtiva.

A organização atua no acesso a insumos, na adoção de tecnologias, na capacitação profissional e na aproximação dos produtores com o mercado. A visita ao Paraná integra a busca por experiências que possam contribuir para a consolidação da cooperativa.
“Essa troca de experiências permite compartilhar soluções que aproximam o conhecimento técnico de diferentes realidades e contribui para melhorar a produção, a gestão e a renda no campo em qualquer parte do mundo”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.
O interesse também foi destacado por Oluwafisayomi Kayode, especialista em agronegócio e integrante do conselho da GFDI.
“Pudemos aprender, compreender e estudar os serviços oferecidos pelo Sistema FAEP, especialmente os diferentes tipos de apoio para auxiliar o produtor rural no crescimento sustentável”, ressalta.
Agricultura tem peso na economia nigeriana
A agricultura desempenha papel expressivo na economia da Nigéria. Em 2025, o setor respondeu por aproximadamente 23% do Produto Interno Bruto (PIB) e concentrou 33,5% dos empregos, segundo dados do Banco Mundial.
Apesar da importância econômica e social da atividade, a Nigéria ainda enfrenta dificuldades para ampliar estruturas capazes de oferecer suporte integrado às diferentes cadeias produtivas, principalmente aos pequenos produtores.
“No Brasil, o sistema funciona de forma integrada, por meio de organizações consolidadas em diferentes setores, que trabalham juntas e complementam os esforços umas das outras. Queremos utilizar esse conhecimento na solução de algumas das lacunas que temos na Nigéria”, explica Kayode.
ATeG do Sistema FAEP pode servir de referência
Entre as iniciativas apresentadas, a ATeG do Sistema FAEP foi uma das que mais chamaram a atenção da delegação. O serviço gratuito combina orientação técnica com gestão da propriedade, por meio de acompanhamento individualizado e periódico.
A iniciativa busca aumentar a produção e a renda das propriedades rurais a partir de um atendimento adaptado à realidade de cada produtor. Os técnicos de campo acompanham indicadores produtivos e econômicos, orientam a adoção de tecnologias e auxiliam na organização da atividade.
Iniciada em 2023 com foco na olericultura, a ATeG foi ampliada e atualmente atende cadeias como apicultura, bovinocultura de corte e de leite, cafeicultura, fruticultura, grãos e cereais, ovinocultura de corte e piscicultura.
Para Kayode, o acompanhamento próximo pode servir de referência para a GFDI, principalmente porque a entidade nigeriana trabalha diretamente com pequenos produtores de leite.
“Esse suporte técnico oferecido aos produtores, de forma individualizada e distribuído por diferentes regiões, faz a diferença”, destaca.
Capacitação profissional também chama atenção
A formação profissional voltada ao meio rural foi outro ponto de interesse da delegação. Os representantes avaliaram como os treinamentos oferecidos pelo Sistema FAEP poderiam ser adaptados às necessidades da Nigéria.
“O sistema de capacitação do Sistema FAEP, com profissionais sendo preparados e produtores com acesso a treinamentos em áreas como produção de leite, pecuária de corte e outras cadeias, pode ser integrado ao nosso país”, conclui Kayode.