MPF denuncia grupo por tráfico de mulheres em União da Vitória

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Atualizado há 4 semanas

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou cinco pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa envolvida em tráfico internacional de pessoas, exploração sexual e outros crimes praticados no Paraná. Parte do esquema, segundo as investigações, funcionava em uma casa noturna de União da Vitória.

A denúncia já foi recebida pela Justiça Federal do Paraná, dando início à ação penal contra os acusados. O caso é resultado da Operação Labareda e tramita sob sigilo para preservar a identidade e a intimidade das vítimas.

De acordo com o MPF, mulheres eram recrutadas no Paraguai mediante falsas promessas de trabalho. Após chegarem ao Brasil, elas teriam sido submetidas à exploração sexual, além de sofrer controle financeiro, restrições à liberdade e cobranças de dívidas.

Multas chegavam a R$ 5 mil

A investigação aponta ainda que as vítimas eram submetidas a um sistema de multas. Valores entre R$ 500 e R$ 5 mil teriam sido cobrados por situações como recusar atendimentos, discutir, deixar de cumprir determinadas regras ou manifestar a intenção de abandonar o estabelecimento pouco tempo depois de começar a trabalhar.

Conforme o MPF, essas cobranças serviam como uma forma de dificultar a saída das mulheres da situação de exploração. Registros das dívidas eram mantidos em cadernos.

Sequestro e tentativa de homicídio

A denúncia também descreve episódios de violência contra vítimas e testemunhas. Depois que uma das mulheres conseguiu fugir, integrantes do grupo teriam planejado e executado o sequestro dela.

Segundo as investigações, a vítima conseguiu escapar ao se jogar de um veículo em movimento. Familiares dela no exterior também teriam recebido mensagens de intimidação.

Em outro episódio, os acusados teriam provocado deliberadamente um incêndio em uma casa noturna enquanto duas testemunhas dormiam no local. Para o MPF, a intenção era matar as duas pessoas. Elas conseguiram deixar o imóvel a tempo.

Nove crimes são atribuídos ao grupo

Além de tráfico internacional de pessoas e submissão de trabalhadores a condições análogas às de escravo, o Ministério Público Federal pede a condenação dos acusados pelos crimes de organização criminosa transnacional armada, rufianismo, manutenção de casa de prostituição, sequestro, lesão corporal, roubo e tentativa de homicídio qualificado.

A denúncia também solicita a reparação dos danos materiais e morais sofridos pelas vítimas.

As investigações foram fundamentadas, entre outros elementos, em laudos periciais, análises de comunicações telefônicas e imagens de videomonitoramento. Os nomes dos acusados não foram divulgados devido ao sigilo do processo.

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