Um morador de Rio Azul tornou-se o primeiro paciente da área da 4ª Regional de Saúde a receber a polilaminina, substância experimental estudada para o tratamento de lesões na medula espinhal.
Cleiton de Oliveira Linhares, de 35 anos, morador da comunidade de Barra do Rio Azul, sofreu um acidente de trabalho no dia 17 de setembro, quando caiu de uma altura de aproximadamente cinco metros enquanto realizava um serviço em um telhado.
Após a queda, ele conseguiu acionar a família pelo celular e foi socorrido pelo Samu. Inicialmente encaminhado ao Hospital de Caridade São Francisco de Assis, em Rio Azul, Cleiton passou por exames que apontaram uma grave fratura na região da vértebra T10. Diante da gravidade, foi transferido de helicóptero para Ponta Grossa.
No dia seguinte ao acidente, Cleiton passou por cirurgia para estabilizar e realinhar a região atingida. Segundo familiares, ele apresentava ausência de sensibilidade nas pernas e posteriormente foi informado de que havia sofrido uma lesão completa da medula.

Família buscou acesso ao tratamento
Após a cirurgia, a família começou a buscar informações sobre a polilaminina. Tatiane Faber, fisioterapeuta e namorada de Cleiton, já conhecia a pesquisa e passou a procurar formas de verificar se ele poderia receber a substância.
Segundo o relato da família à Folha de Irati, foram necessários contatos com profissionais da saúde, envio de documentos e autorizações do médico responsável, do laboratório e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A liberação ocorreu na segunda-feira (21).
A aplicação da polilaminina foi realizada na manhã de quarta-feira (23), em Ponta Grossa. Uma equipe ligada ao laboratório responsável pelo produto veio do Rio de Janeiro para realizar o procedimento, com aplicação diretamente na região da lesão.
Após o procedimento, segundo a família, Cleiton estava consciente, conversando e sem apresentar dor.
Tratamento ainda é experimental
A polilaminina é resultado de uma linha de pesquisa desenvolvida há cerca de 25 anos por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A substância é formada por uma rede de proteínas chamadas lamininas e é estudada pela possibilidade de favorecer o crescimento e a reorganização de estruturas nervosas após lesões medulares.
A Anvisa autorizou em 2026 o início da fase 1 do estudo clínico, etapa voltada principalmente à avaliação da segurança da aplicação em seres humanos. Essa fase, porém, ainda não permite afirmar que o tratamento seja eficaz.
No caso de Cleiton, a família foi informada de que não há garantia de recuperação e de que o tratamento deve ser acompanhado por um intenso processo de fisioterapia e reabilitação.
Cleiton trabalhava como fumicultor e também realizava serviços de pedreiro. Agora, seguirá em acompanhamento médico e fisioterapêutico, enquanto a evolução do quadro é observada pela equipe responsável.