Agro cobra medidas urgentes dos próximos governos no Paraná e no país

Sistema FAEP reúne propostas para segurança, energia, estradas, crédito e seguro rural e cobra medidas urgentes dos próximos governos a partir de 2027.

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Atualizado há 6 horas

Com a definição dos próximos governos estadual e federal, o setor agropecuário paranaense reforça uma série de reivindicações consideradas essenciais para os próximos anos. Entre as prioridades do agro estão medidas para reduzir o endividamento, ampliar o seguro rural, melhorar estradas e energia no campo e fortalecer a segurança nas propriedades.

O Sistema FAEP afirma ter reunido mais de 360 propostas no Plano Diretor do Agronegócio Paranaense 2027/30, elaborado com participação de 163 sindicatos rurais e entregue a candidatos ao governo do Paraná.

No cenário nacional, a entidade também elaborou o documento “Propostas ao Candidato a Presidente da República 2026”, com 15 prioridades técnicas e pautas jurídicas distribuídas em sete áreas.

“Quem assumir em janeiro vai encontrar um setor que produz, gera emprego e sustenta a economia dos municípios, Estados e do país. Porém, hoje o agro enfrenta dívida sem saída, risco sem proteção e infraestrutura precária”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

Foto: Divulgação/FAEP SENAR
Foto: Divulgação/FAEP SENAR

Segurança rural está entre as cobranças

Na área da segurança, a entidade defende o fortalecimento da Patrulha Rural Comunitária no Paraná.

Entre as propostas estão a transformação da Patrulha Rural em uma política permanente prevista em lei, ampliação do efetivo e instalação de internet via satélite nas viaturas.

O Sistema FAEP também propõe a criação de delegacias regionais especializadas em crimes ocorridos no meio rural e a implantação de conselhos de segurança nos municípios onde essas estruturas ainda não existem.

Energia preocupa produtores

Outro ponto destacado pela entidade é a qualidade do fornecimento de energia elétrica no campo.

Eventos climáticos recentes deixaram propriedades sem energia durante períodos prolongados, segundo o Sistema FAEP. Em atividades como piscicultura, avicultura, suinocultura e produção de leite, interrupções podem provocar perdas de produção e até morte de animais.

Diante desse cenário, a entidade defende a criação de um Plano Estadual de Modernização da Infraestrutura Elétrica Rural, além da ampliação dos investimentos no Programa Paraná Energia Rural Renovável.

Também é proposta uma maior descentralização da fiscalização sobre o serviço de energia elétrica.

Estradas rurais entram na lista de prioridades

As condições das estradas rurais aparecem entre as principais prioridades do agro apresentadas pela entidade.

O Paraná possui aproximadamente 170 mil quilômetros de estradas vicinais. Segundo estudo citado pelo Sistema FAEP, problemas nessas vias aumentam os custos de transporte e dificultam o escoamento da produção.

Entre os gargalos estão drenagem inadequada, falta de cascalhamento, pontes de madeira sem manutenção e limitações de equipamentos por parte de municípios.

A proposta da entidade é criar um Programa Estadual Permanente de Estradas Rurais, com recursos contínuos, critérios técnicos para definir prioridades e apoio financeiro aos municípios.

Crédito rural e Plano Safra

No cenário nacional, uma das preocupações está relacionada ao acesso ao crédito rural.

Dados apresentados pela entidade apontam que a safra 2025/26 encerrou com R$ 344,9 bilhões desembolsados em crédito rural no Brasil, volume 10,1% inferior ao do ciclo anterior.

O Sistema FAEP defende que o Plano Safra tenha planejamento plurianual, maior previsibilidade e integração entre crédito, seguro rural e instrumentos de gestão de risco.

Endividamento segue como desafio

A renegociação das dívidas dos produtores também está entre as cobranças.

A Medida Provisória 1.376/2026 autorizou a criação de linhas de crédito destinadas à composição de dívidas rurais, especialmente para produtores afetados por eventos climáticos e perdas de receita.

Segundo levantamento do Sistema FAEP com sindicatos rurais, porém, produtores ainda enfrentam dificuldades de enquadramento, exigências de novas garantias e taxas consideradas elevadas.

Por isso, a entidade defende uma política permanente de reestruturação financeira para o setor, em vez de medidas adotadas apenas diante de crises específicas.

Seguro rural ganha novo marco

A ampliação do seguro rural é outra reivindicação central.

Segundo dados reunidos pelo Sistema FAEP, a área segurada no Brasil caiu mais de 75% desde 2021. No Paraná, o número de apólices teria recuado de 82,19 mil para 9,24 mil no mesmo período.

Uma mudança recente ocorreu com a sanção da Lei 15.526/2026, que tornou obrigatória a execução dos recursos destinados à subvenção do prêmio do seguro rural, dentro dos limites estabelecidos no orçamento. A legislação também prevê condições diferenciadas de crédito para produtores segurados e novas regras relacionadas ao pagamento de indenizações.

Para o Sistema FAEP, a nova legislação representa um passo importante, mas o setor ainda precisa ampliar a cobertura e garantir recursos previsíveis para a política de gestão de riscos.

“Precisamos de um instrumento de proteção com regras claras e indenização ágil e garantida”, afirma Meneguette.

A entidade afirma que pretende acompanhar a implementação das propostas e cobrar medidas dos governantes que assumirem os mandatos em janeiro de 2027.

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