Um homem de 40 anos, natural de Mallet, morreu durante uma intervenção da Polícia Militar após invadir o Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) São Braz, em Curitiba, e manter 13 crianças reféns na tarde desta sexta-feira, 9.
As vítimas, com idades entre 4 e 5 anos, foram resgatadas após aproximadamente três horas de negociações.
O caso ganhou repercussão na região de Mallet depois que surgiram informações de que o homem já seria conhecido das autoridades policiais do município e teria manifestado anteriormente a intenção de cometer um ataque contra uma instituição de ensino.
De acordo com relatos extraoficiais divulgados pela imprensa regional, policiais de Mallet já acompanhavam o histórico do suspeito, inclusive em razão de comportamentos anteriores considerados preocupantes. Essas informações, no entanto, ainda não foram confirmadas oficialmente pelas autoridades responsáveis pela investigação.
Ameaças de incêndio motivaram ação do BOPE
Durante entrevista coletiva, o coronel Alexandre Lopes Dias, da Polícia Militar do Paraná (PMPR), explicou que a decisão de realizar a entrada tática ocorreu após o agravamento da situação dentro da unidade de ensino.
Segundo ele, o homem apresentava comportamento desconexo durante as negociações e não esclarecia os motivos da invasão.
O suspeito estava armado com uma faca e um objeto que aparentava ser uma arma de fogo, posteriormente identificado como simulacro. Também havia material inflamável no ambiente, e o homem ameaçava atear fogo na sala onde estavam as crianças.
Conforme a PM, o nível de tensão aumentou quando as vítimas começaram a chorar intensamente e o homem passou a apresentar comportamento agressivo, chegando a machucar algumas delas.
Diante do risco iminente, policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) decidiram entrar no local.
Durante a intervenção, o suspeito teria tentado alcançar uma das crianças. Os policiais efetuaram disparos contra o homem, que morreu no local.
A corporação afirmou que a ação teve como prioridade preservar a vida das crianças e impedir que a situação terminasse em uma tragédia.
Cinco crianças receberam atendimento médico
As 13 crianças foram retiradas com vida da unidade de ensino e receberam atendimento das equipes de emergência mobilizadas para a ocorrência.
Cinco delas foram encaminhadas a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para avaliação médica. Uma criança apresentava ferimentos visíveis no rosto, que, segundo a Polícia Militar, foram provocados pelo suspeito.
A Prefeitura de Curitiba também mobilizou profissionais de psicologia para prestar acolhimento às vítimas, aos familiares e aos funcionários da instituição.
A atuação da direção e dos professores foi destacada pela Polícia Militar. Assim que perceberam a invasão, os profissionais conseguiram retirar outras crianças do CMEI, reduzindo o número de pessoas expostas ao perigo.
Suspeito já teria ameaçado escola em Mallet
Informações extraoficiais divulgadas pela imprensa de Mallet apontam que o homem já teria manifestado, em ocasião anterior, a intenção de realizar algum tipo de ataque contra uma escola do município.
De acordo com os relatos atribuídos a fontes policiais locais, o comportamento do suspeito já despertava preocupação, motivando atenção especial das autoridades.
Também há informações sobre um episódio anterior envolvendo o homem em uma estação de metrô de São Paulo, onde ele teria tentado empurrar uma pessoa.
Os relatos sobre essas ocorrências anteriores ainda dependem de confirmação oficial.
O coronel Alexandre Lopes Dias informou que a Polícia Militar recebeu informações de que o homem tinha histórico de esquizofrenia. Entretanto, a corporação não confirmou a motivação do ataque. A eventual condição de saúde não permite, por si só, explicar o comportamento do suspeito.
Homem deixou carta ao entrar na unidade
Outro elemento que deverá ser analisado pelos investigadores é uma carta encontrada no CMEI.
Segundo a Polícia Militar, o documento teria caído no chão quando o homem entrou na instituição. A carta foi recolhida, mas seu conteúdo e a possível relação com o ataque ainda não foram esclarecidos oficialmente.
Conforme as informações apresentadas pela corporação, o suspeito chegou ao CMEI de bicicleta, deixou o veículo do lado de fora e pulou a cerca para acessar as dependências da instituição.
As circunstâncias da invasão, o histórico do homem e sua motivação deverão ser apurados pelas autoridades.
Caso reacende debate sobre segurança nas escolas
A ocorrência também voltou a colocar em discussão a segurança dos estabelecimentos de ensino, especialmente diante das informações de que o homem já teria feito ameaças anteriores em Mallet.
No município, medidas para ampliar a proteção das escolas já foram debatidas pelo Legislativo, incluindo propostas de instalação de dispositivos de controle de acesso e reforço da vigilância.
O episódio em Curitiba evidencia a importância de protocolos de emergência, comunicação entre instituições de ensino e forças de segurança, além da apuração e do acompanhamento de ameaças concretas.
Apesar da gravidade da ocorrência, todas as 13 crianças foram resgatadas com vida. A investigação deverá esclarecer o que levou o homem a invadir a unidade de ensino e se existiam informações anteriores que poderiam contribuir para a prevenção do ataque.
