OPINIÃO: Quem ganhou o debate?

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Atualizado há 3 horas

Flávio se deu melhor no debate. Foi moderado e calmo. Lula estava perdido e nervoso, representante de um jeito velho de fazer política e ver o mundo. Alguém que já se pôs à prova no último governo e fracassou.

(Foto: Band TV).

Para o eleitor, porém, isso importa pouco ou nada.

A maior parte das pessoas vota por sentimento, não compara programas de governo e propostas. O eleitor acredita que determinado candidato representa seus valores e que sua vitória será boa para si e, por extensão, para o país.

É como um torcedor de futebol: quando seu time joga mal, cobra, grita, xinga, encontra uma explicação e não muda de time. É como um apaixonado que descobre traição. Acredita na explicação, minimiza seu chifre, convence-se de que não acontecerá novamente e não termina a relação.

Com política não é diferente. É por isso que escândalos raramente produzem o efeito eleitoral que os adversários esperam. As denúncias que se acumulam sobre o governo Lula, agora impulsionadas pela entrevista de Roberta Luchsinger à CNN, no último sábado, dificilmente farão um petista deixar de ser petista. Da mesma forma, a hesitação de Lula no debate e a segurança de Flávio dificilmente influenciarão o voto do eleitor.

O que está definindo, em favor de Flávio, esta eleição é o sentimento de saco cheio do governo Lula e de sua parceria com a ala de ministros mais nefasta que o STF já teve em toda sua história, contraposto à esperança de renovação representada pela direita.

Por isso, a vitória de Flávio no debate e os escândalos empilhados nas costas de Lula são menos relevantes ao eleitor do que à imprensa, que, de forma oposta ao eleitor, busca racionalizar o confronto.

Diante de um debate com Lula sem propostas, agindo no desespero de quem arranha as paredes de um quarto de hospício, e com um Flávio que demonstra saber por onde caminha, a imprensa talvez comece a tratar um governo de direita com mais naturalidade, abandonando as caricaturas que utilizou até agora para retratar Flávio e transmitindo ao eleitor a mensagem de que o mundo não acabará se ele vencer. Não haverá ruptura institucional, nem fascismo. Apenas uma desejável alternância de poder.

Talvez o maior efeito do debate não seja convencer o eleitor de que Flávio venceu, mas de que não há nada a temer com a vitória de Flávio.

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