Acostumado a falar para milhões de pessoas na internet, o influenciador Felca revelou que enfrenta uma dificuldade que contrasta com sua popularidade: o medo intenso de conviver e interagir socialmente.

O criador de conteúdo, cujo nome é Felipe Bressanim Pereira, compartilhou detalhes sobre sua saúde mental em um vídeo publicado nesta terça-feira (20). No depoimento, contou que sofre de transtorno de ansiedade social, condição que o levou a passar cinco meses praticamente isolado dentro de casa.
A revelação sobre a fobia social de Felca chamou a atenção para uma realidade que atinge pessoas de diferentes idades e que muitas vezes é confundida com timidez.
Traumas da adolescência e dificuldades na vida adulta
Durante o relato, Felca relembrou episódios de bullying sofridos na escola, em Londrina, no Paraná. Segundo ele, as agressões e humilhações se repetiram durante aproximadamente oito anos.
As experiências deixaram marcas que, conforme o influenciador, permaneceram mesmo depois de conquistar reconhecimento profissional.
Apesar de produzir vídeos para uma audiência numerosa, Felca explicou que situações aparentemente comuns, como participar de encontros, conversar com desconhecidos ou comparecer a eventos, podem provocar grande sofrimento.
Ele também revelou que passou a recorrer ao álcool como uma forma de conseguir enfrentar compromissos sociais e profissionais. O hábito acabou se tornando um problema de dependência.
Quando o medo de socializar se torna um transtorno
A fobia social não se resume ao desconforto de falar em público ou à preferência por ambientes tranquilos. Trata-se de um transtorno marcado pela ansiedade intensa diante da possibilidade de avaliação ou julgamento por outras pessoas.
Quem enfrenta a condição pode apresentar sintomas físicos, como aceleração dos batimentos cardíacos, suor excessivo, tremores e falta de ar. O receio de constrangimento também pode levar ao afastamento de amigos, familiares e atividades profissionais.
Em muitos casos, a pessoa reconhece que seu medo é desproporcional, mas encontra dificuldades para controlar as reações.
O tratamento pode envolver psicoterapia e, conforme avaliação médica, medicamentos. A identificação precoce dos sintomas contribui para evitar que o isolamento comprometa ainda mais a qualidade de vida.
Novo desafio busca romper o isolamento
Ao tornar pública sua experiência, Felca também anunciou uma iniciativa pessoal para enfrentar situações que costuma evitar.
Batizado de #SimFel, o desafio prevê que, durante três meses, ele procure aceitar convites e vivenciar novas experiências sociais.
A proposta representa uma tentativa de retomar atividades que se tornaram difíceis ao longo dos anos. Entretanto, especialistas destacam que a exposição gradual às situações temidas deve respeitar os limites de cada pessoa, preferencialmente com orientação profissional.
Mais do que revelar um aspecto desconhecido da própria vida, o depoimento sobre a fobia social de Felca contribui para ampliar a discussão sobre os efeitos prolongados do bullying e a importância do cuidado com a saúde mental.