2º turno: SC encerra votação às 17h mesmo após ordem para prorrogação no país

Presidente do TRE-SC, Carlos Roberto da Silva, afirma que a maioria das seções já havia fechado e que o tribunal ainda não tinha recebido comunicação oficial da decisão

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Atualizado há 10 horas

Santa Catarina começou a encerrar a votação do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 às 17h deste domingo (25), mesmo após o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a prorrogação do horário de votação até as 19h em todo o Brasil.

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC), desembargador Carlos Roberto da Silva, afirmou durante entrevista coletiva que a maioria das quase 17,4 mil seções eleitorais catarinenses já havia encerrado os trabalhos conforme a legislação eleitoral.

Segundo o magistrado, o tribunal tomou conhecimento da decisão por meio da imprensa, mas ainda não havia recebido uma comunicação oficial do STF ou do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até o momento da entrevista.

“Nós soubemos pela imprensa, repito, mas não tivemos, até o momento, nenhuma comunicação oficial. O TRE de Santa Catarina não recebeu, até um minuto atrás, nenhuma comunicação oficial dessa eventual decisão”, declarou Carlos Roberto da Silva.

Urnas já estavam sendo encerradas em Santa Catarina

O presidente do TRE-SC explicou que, às 17h, todos os presidentes de mesa estavam autorizados a finalizar o recebimento dos votos.

Como o segundo turno envolvia apenas a escolha do presidente da República, a expectativa era de que poucas seções apresentassem filas no horário previsto para o encerramento.

“Às 17 horas, pela legislação eleitoral, todos os presidentes de mesa das quase 17.400 seções eleitorais de Santa Catarina estavam autorizados a encerrar a votação”, afirmou.

Diante disso, um número expressivo de urnas já havia sido encerrado quando o tribunal tomou conhecimento da determinação judicial.

O desembargador esclareceu que, conforme as orientações vigentes naquele momento, somente poderiam continuar votando os eleitores que já estavam nas filas às 17h.

A situação gerou um desencontro entre a decisão nacional e os procedimentos que já estavam sendo executados pela Justiça Eleitoral catarinense.

Presidente afirma que Santa Catarina não tinha problemas para justificar extensão

Ao comentar a prorrogação da votação em Santa Catarina, Carlos Roberto da Silva afirmou que o estado não havia registrado situações que, inicialmente, justificassem a ampliação do horário.

O presidente citou problemas relacionados ao transporte de eleitores em outras regiões do país, que motivaram pedidos de extensão do prazo.

“Nós não tínhamos e não temos, aqui em Santa Catarina, essa situação a justificar a prorrogação”, afirmou.

A decisão do ministro Cristiano Zanin atendeu a um pedido da coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após relatos de dificuldades de deslocamento de eleitores em diferentes estados. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também havia solicitado a ampliação do horário em municípios afetados pelas fortes chuvas.

A determinação judicial estabeleceu o encerramento da votação às 19h, pelo horário de Brasília, em todas as seções eleitorais do país, cabendo ao TSE dar cumprimento à medida.

Municípios catarinenses já haviam concluído a totalização

Durante a entrevista coletiva, o presidente do TRE-SC também confirmou que o tribunal havia iniciado os procedimentos de transmissão dos dados das urnas eletrônicas.

Uma informação repassada pela equipe técnica chamou a atenção: o município de Ponte Alta do Norte já havia alcançado 100% da totalização dos votos às 17h05.

Na sequência, Carlos Roberto da Silva recebeu a informação de que dois municípios catarinenses haviam concluído integralmente o envio dos resultados ao TSE, em Brasília.

“A apuração seguirá normalmente. Nós vamos iniciar agora o processo de remessa dos dados de cada seção eleitoral, de cada urna, conforme estava planejado”, explicou.

Posteriormente, o TSE anunciou a suspensão da totalização nacional dos votos, em razão da determinação de prorrogar a votação até as 19h.

Presidente é questionado sobre risco de impugnação

A decisão de encerrar as seções eleitorais em Santa Catarina também levantou questionamentos sobre possíveis consequências jurídicas.

Perguntado por jornalistas sobre o risco de impugnação, Carlos Roberto da Silva evitou antecipar qualquer conclusão.

O presidente ressaltou que, em um ambiente democrático, cabe ao Poder Judiciário analisar eventuais questionamentos apresentados pelas partes interessadas.

Ele reiterou que a maioria das seções eleitorais de Santa Catarina havia encerrado os trabalhos de acordo com as regras e orientações disponíveis naquele momento.

TRE-SC aguarda novas orientações

Ao finalizar a entrevista coletiva, Carlos Roberto da Silva afirmou que o tribunal continuaria acompanhando os desdobramentos da decisão do STF.

O desembargador destacou que as orientações repassadas aos juízes eleitorais e presidentes de mesa permaneceriam válidas enquanto não houvesse uma determinação oficial diferente.

A prorrogação da votação em Santa Catarina acabou criando uma situação excepcional no segundo turno: enquanto a determinação nacional estabelecia o recebimento de votos até as 19h, grande parte das seções catarinenses já havia encerrado suas atividades às 17h.

O caso também ocorreu em outros estados, onde urnas foram encerradas antes de as determinações sobre a ampliação do horário chegarem às equipes eleitorais.

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