O tornado em Maringá, no Noroeste do Paraná, deixou marcas impressionantes de destruição na madrugada de segunda-feira (2). Telhas foram arremessadas a mais de 1,3 quilômetro de distância, estruturas ficaram retorcidas e pelo menos 862 quedas de árvores foram contabilizadas no município.

Os estragos ajudaram os meteorologistas do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) a confirmar que a cidade foi atingida por um tornado de categoria F2 na escala Fujita, com ventos estimados entre 180 km/h e 250 km/h.
A confirmação ocorreu na terça-feira (3), após análises de imagens de radar, dados de estações meteorológicas, registros aéreos e vistorias realizadas nas áreas atingidas.
Telhas foram lançadas a mais de 1.300 metros
Entre as evidências encontradas pelos especialistas, uma das mais impressionantes foi a distância percorrida por materiais arrancados das construções.
Telhas foram encontradas a mais de 1.300 metros dos locais de origem, enquanto folhas de zinco foram transportadas por mais de 300 metros pela força dos ventos.
As equipes também identificaram danos em estruturas de alvenaria, elementos retorcidos e copas de árvores arrancadas.
O conjunto dessas evidências permitiu identificar um corredor de destruição de aproximadamente 15 quilômetros, iniciado na região sudoeste de Maringá.
Simepar identificou sinais de tempestade severa
O monitoramento meteorológico começou antes da passagem do tornado em Maringá. Desde quinta-feira (30 de outubro), o Simepar emitia avisos sobre a possibilidade de tempestades severas no Paraná.
Por volta das 3h de segunda-feira (2), radares e estações meteorológicas identificaram sinais de uma tempestade de grande intensidade.
Uma linha de instabilidade ganhou força ao alcançar Maringá, acompanhada pela passagem de uma supercélula, tipo de tempestade altamente organizada e capaz de produzir ventos destrutivos.
Os meteorologistas Reinaldo Kneib e Marco Jusevicius estiveram no município para avaliar os danos. Com apoio da Prefeitura e do Corpo de Bombeiros, realizaram vistorias e sobrevoos de helicóptero e drones.
A análise das imagens e dos vestígios encontrados no solo foi determinante para a classificação do fenômeno.
Mais de 86 mil imóveis ficaram sem energia
Além das 862 quedas de árvores, o tornado provocou destelhamentos, danos em imóveis, queda de postes e interrupções no fornecimento de energia elétrica.
Segundo a Copel, aproximadamente 86 mil unidades consumidoras ficaram sem energia após a tempestade.
Até a noite de terça-feira (3), cerca de 44 mil imóveis haviam recuperado o fornecimento, enquanto outros 42 mil ainda aguardavam a normalização.
A Prefeitura mobilizou aproximadamente 930 servidores, além de voluntários e equipes do Corpo de Bombeiros, para atender às ocorrências e trabalhar na recuperação da cidade.
Das 862 árvores caídas, aproximadamente 450 já haviam sido retiradas até o balanço divulgado na terça-feira.
O que significa um tornado F2?
A escala Fujita classifica os tornados conforme a intensidade dos danos e a velocidade estimada dos ventos.
Na categoria F2, os ventos podem atingir entre 180 km/h e 250 km/h, provocando destelhamentos, destruição de estruturas e arrancamento de árvores.
O Simepar ressalta que a classificação é preliminar e poderá ser revisada conforme o avanço das investigações.
O episódio em Maringá reforça a importância dos alertas meteorológicos e do acompanhamento das orientações da Defesa Civil, especialmente diante da possibilidade de novas tempestades no Paraná.