O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), em meio a uma grave crise política e financeira provocada pelo colapso do banco digital Ueno Bank. A decisão ocorreu após manifestações populares, denúncias de irregularidades e o avanço de um processo de impeachment no Congresso Nacional.

O presidente do Paraguai renuncia depois de pouco mais de três anos no poder. Peña havia assumido o cargo em 15 de agosto de 2023, com mandato previsto até 2028. A saída foi anunciada por meio de um vídeo publicado nas redes sociais.
Crise bancária deixou milhões sem acesso ao dinheiro
A crise começou a se agravar após o Banco Central do Paraguai determinar a intervenção no Ueno Bank, instituição financeira que possuía aproximadamente 3 milhões de clientes e administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos.
A medida ocorreu depois que os órgãos reguladores identificaram problemas de solvência, operações de crédito consideradas arriscadas e irregularidades nos registros financeiros da instituição.
Com a intervenção, milhões de clientes ficaram impossibilitados de movimentar suas contas, provocando preocupação entre correntistas e uma onda de protestos no país.
Ligação com banco aumentou pressão sobre Santiago Peña
O envolvimento anterior de Santiago Peña com o grupo empresarial controlador do Ueno Bank ampliou a crise política. O presidente havia sido acionista da empresa até março de 2025.
Parlamentares da oposição acusaram o governo de conflitos de interesse, uso indevido de recursos previdenciários e suposto acobertamento de irregularidades relacionadas à instituição financeira.
Na quarta-feira (4), um grupo de 35 deputados apresentou uma proposta de impeachment contra Peña e o vice-presidente Pedro Alliana.
A situação política se agravou quando integrantes do próprio Partido Colorado, legenda do presidente, retiraram o apoio ao governo.
Presidente anuncia saída para preservar estabilidade
Diante da pressão, Santiago Peña decidiu deixar a Presidência antes da conclusão do processo de impeachment.
Em sua manifestação pública, o político afirmou que a decisão buscava preservar a estabilidade nacional, a paz social e o funcionamento das instituições democráticas.
Peña também defendeu medidas para garantir a devolução dos recursos aos clientes prejudicados pelo colapso bancário.
O caso está sob investigação do Ministério Público paraguaio. Oito dirigentes ligados ao banco foram detidos e 27 pessoas foram formalmente acusadas no âmbito das investigações.
Quem assume a Presidência do Paraguai?
Com a renúncia de Santiago Peña, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do país para concluir o mandato presidencial, conforme estabelece a Constituição paraguaia.
O Congresso Nacional deverá formalizar a saída do presidente e conduzir os procedimentos necessários para a posse de seu sucessor.
A mudança no comando do Executivo acontece em um momento de instabilidade econômica e política, com o governo pressionado a recuperar a confiança da população e garantir a proteção dos recursos depositados no sistema bancário.