FAEP propõe fundo estadual para socorrer produtores após desastres climáticos

Proposta de fundo estadual de catástrofe busca garantir recursos para reconstruir propriedades rurais e recuperar a produção agropecuária atingida por temporais no Paraná.

·
Atualizado há 20 horas

O Sistema FAEP encaminhou, nesta sexta-feira (6), um ofício ao governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, propondo a criação de um fundo estadual de catástrofe destinado ao setor agropecuário. A iniciativa pretende oferecer apoio financeiro a agricultores e pecuaristas afetados por eventos climáticos extremos, como temporais, vendavais, granizo e tornados.

A proposta prevê recursos para reconstrução de estruturas rurais, recuperação de benfeitorias e reposição de insumos, equipamentos e maquinários danificados. A intenção é permitir que os produtores retomem suas atividades com maior rapidez, reduzindo os impactos econômicos das perdas.

Foto: Arquivo/produtor Marcos Minghini
Foto: Arquivo/produtor Marcos Minghini

Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a frequência e a intensidade dos fenômenos climáticos exigem mecanismos permanentes de assistência.

“O produtor rural trabalha a céu aberto e não tem como se proteger de um tornado ou de temporais como os registrados recentemente, em todo o Paraná. Nestes casos, os agricultores e pecuaristas precisam de uma resposta rápida do Estado para voltar a produzir”, afirma.

Desastres climáticos já provocaram prejuízos milionários

Dados da Defesa Civil do Paraná apontam que, somente entre os dias 1º e 6 de novembro, foram registradas 94 ocorrências relacionadas a desastres climáticos em 87 municípios.

Ocorrências: 94

Municípios: 87

Prejuízos: R$ 38,4 mi

Mais de 30 mil pessoas foram afetadas, segundo os dados apresentados pela entidade.

No campo, os reflexos incluem perdas médias de 25% na produtividade das culturas de inverno, necessidade de replantio de lavouras e danos à infraestrutura das propriedades.

A FAEP também alerta para o risco de agravamento do endividamento rural. Atualmente, o Paraná possui aproximadamente R$ 14 bilhões em saldo problemático de crédito rural contratado, montante que poderá aumentar diante dos prejuízos provocados pelos temporais.

“Estamos perdendo décadas de avanços em sistemas de produção qualificados em questão de meses. Precisamos urgentemente de um plano estruturado que minimamente permita recompor o setor diante de perdas sucessivas”, destaca Meneguette.

Chuvas intensas comprometem lavouras e estradas rurais

No Norte Pioneiro, Ribeirão Claro registrou mais de 200 milímetros de chuva em menos de 24 horas, entre os dias 4 e 5 de novembro. O volume provocou erosões, rompimento de curvas de nível, danos às plantações de milho e problemas nas estradas rurais.

Uma ponte estadual entre Ribeirão Claro e Carlópolis precisou ser interditada, comprometendo o deslocamento na região.

O presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Claro, Marcos Minghini Loureiro, relata que estruturas de contenção com até 1,70 metro de altura não resistiram à força da água.

“O que mais dói é ver erosão, porque é o seu patrimônio que vai embora e nunca mais volta”, lamenta.

Em Santo Antônio da Platina, também foram registrados danos em estradas e dificuldades no plantio da soja. Na comunidade rural de Água Branca, a elevação da água sobre uma ponte prejudicou o acesso de famílias e a circulação de veículos utilizados no transporte escolar e no escoamento da produção.

Já em Astorga, no Norte Central, o vendaval de 2 de novembro destruiu barracões e atingiu lavouras de soja, especialmente no distrito de Tupinambá. Parte das áreas precisará ser replantada, aumentando os custos e os riscos para a próxima safra.

Tornado no Centro-Sul reforça necessidade de apoio permanente

A proposta também considera as dificuldades enfrentadas por produtores da região Centro-Sul do Paraná após o tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu e municípios vizinhos há cerca de um ano.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Laranjeiras do Sul, Eliseu Fernando Telli, aproximadamente 600 propriedades foram afetadas. Metade estava localizada em Rio Bonito do Iguaçu, enquanto as demais se distribuíam entre Laranjeiras do Sul, Porto Barreiro, Virmond e Candói.

Telli afirma que apenas Rio Bonito do Iguaçu recebeu as medidas estaduais relacionadas ao reconhecimento da situação de calamidade pública, deixando produtores de outros municípios sem o mesmo atendimento.

Para o dirigente, mecanismos de financiamento com juros reduzidos e prazos ampliados poderiam contribuir para a reconstrução das propriedades.

Fundo estadual de catástrofe busca acelerar recuperação

Com a criação do fundo estadual de catástrofe, o Sistema FAEP pretende estabelecer uma reserva financeira permanente para atender o setor agropecuário em situações de emergência.

A entidade defende que o auxílio seja disponibilizado de forma ágil, evitando que processos burocráticos prolonguem a paralisação das atividades rurais.

Para Meneguette, a recuperação da capacidade produtiva é uma questão que ultrapassa os limites das propriedades, com consequências para a economia e o abastecimento.

“Os efeitos da perda de capacidade produtiva são sentidos por toda a sociedade paranaense, não só pelo campo”, conclui.

A proposta foi encaminhada ao governo estadual, mas ainda depende de avaliação e de eventuais medidas para sua implementação.

Fique sempre atualizado

Entre no nosso grupo do WhatsApp e siga nosso perfil no Instagram para não perder nenhuma notícia!