Por Alvaro Concha
“Visão de curto, médio e longo prazos” essa é uma das premissas de todo e qualquer bom administrador, além de ser uma das principais exigências dos professores a seus alunos no âmbito acadêmico gerencial. É como se o capitão de um navio soubesse que tem que navegar, porém não sabe para onde. E na prática tenho me deparado com muitas empresas, muitos barcos que possuem capitães que conhecem demais o mar, com profundo conhecimento de mercado, com visão técnica invejável, inteligência acima da média, mas não sabem onde suas embarcações devem atracar. Sabem que querem o sucesso, sabem que querem ter lucro, mas não sabem como conduzir suas empresas para essa meta.
Desde que Drucker visualizou a Administração por Objetivos, as maiores e mais bem-sucedidas empresas do planeta adotaram a ideia de que era necessário estabelecer metas, buscar os caminhos e segui-los, mesmo que sejam necessárias, durante o percurso, algumas correções. É com esse objetivo que se criaram o tão famoso Planejamento Estratégico.
Mas inteligentemente, o Conselho de Turismo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) demonstrou preocupar-se não somente com o curto prazo, mas com o médio e longo e debateu na semana passada sobre o tema Hospitalidade Corporativa nos estádios. Trocando em miúdos, significa que a preocupação é fazer com que os estádios do pós-Copa de 2014 se tornem mais amigáveis aos clientes e permitam que torcedores e pessoas no geral, individualmente ou em grupos possam ser recebidos nas diversas arenas fortalecendo o contato com o público e, obviamente, seu caixa.
Curiosamente a professora Roberta Guimarães, afirmou que “Os estádios são crus em termos de operação. Cabe aos times ou às empresas levar para esse ambiente tudo o que precisam. Como um gerador, necessário a qualquer serviço de suprimento de alimentos e bebidas”.
Realmente, temos pouca ligação com o espetáculo, pouca propensão a transformar nossos esportes em espetáculo, como os norte-americanos tão sabiamente sabem fazer. Um bom exemplo é o basquete da NBA, que além de todas as luzes, cheerleaders, câmeras espalhadas pelo ginásio, som ambiente, além das próprias regras do jogo, não se faz anti doping nos jogadores, o que importa é o espetáculo… Certo ou errado, eles são os melhores do mundo nesse esporte, anos-luz de distância do segundo colocado e também faturam anos-luz na frente.
É assim mesmo, enquanto uns pensam na Copa (curto prazo) outros já esperam colher frutos no pós-Copa (médio e longo prazos).
Alvaro Concha é consultor de empresas (alvaroconcha@gmail.com)