Por Mariana Honesko
A cor traduz o efeito que quer causar o movimento “Maio Amarelo”. Assim como nos semáforos, o amarelo adotado pela campanha tem como intenção chamar a atenção de quem compõe o trânsito e para o comportamento empregado nele. Assim, nasceu a proposta que, em todo o mundo, aborda o alto índice de mortes e feridos. O movimento propõe uma ação coordenada entre Poder Público e a sociedade civil, para que a segurança viária entre, de vez, na pauta de discussão e de novas possibilidades.
No Paraná, a causa impressionou, inclusive, a Associação das Emissoras de Radiodifusão do Paraná (Aerp). A entidade adotou a causa e vestiu-se com as cores do sol em laços e adesivos. Em União da Vitória, a proposta é mais evidente a partir das ações desenvolvidas pelo programa Educação de Trânsito (Educatran). A iniciativa é municipal, pública e neste mês, estreou no atendimento dos menores infratores. Jovens autuados por dirigir sem ter habilitação, endossam um modelo pioneiro de “correção”. Por lá, o Maio Amarelo já é realidade.
Antes de dirigir
Em parceria com a Vara da Família e da Juventude de União da Vitória, Polícia Militar de Santa Catarina e Uniguaçu, o recém instalado programa vai na contramão da punição. Trata-se, na verdade, de uma edição aberta aos menores e seus responsáveis. “Na sala de aula, aqui mesmo no setor, os infratores recebem orientação de trânsito. Eles entendem o que ele é, como funciona e o que representa a direção sem carteira de habilitação”, explica a coordenadora do programa Serli Olivetti. No dia 6, o primeiro encontro reuniu oito menores. A segunda fase será no dia 22, com um novo grupo. “Nós queremos mudar a parte física de alguns setores mais complicados mas também apostamos nas crianças e na mudança de comportamento”, observa Serli.
Perfil
A medida justifica-se. Conforme levantamento militar, em União da Vitória, a maioria dos acidentes ocorre nos horários de pico, divididos em três momentos do dia. A maioria, ainda, é fruto da imprudência e do aumento considerável da frota. Oitenta por cento das ocorrências envolvem motociclistas ou ciclistas.
A nível nacional, as estatísticas replicam-se. “Cerca de 70% dos acidentes envolvem jovens e nos fatais, as vitimas tem entre 18 e 35 anos”, pontua a coordenadora do Educatran.
#maioamarelo
Como o próprio nome traduz, é uma ação – e não uma campanha – aberta para toda a comunidade. A motivação para o Maio Amarelo não é novidade. Ao contrário, é respaldada em argumentos de conhecimento público e notório, mas comumente desprezados, sem a devida reflexão sobre o impacto na vida de cada cidadão.
Para as Nações Unidas, a medida combina exatamente com o perfil da década: em 2010, assembléia da entidade definiu os anos de 2011 a 2020, como a “Década de Ações para a Segurança no Trânsito”. O documento foi elaborado com base em um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) que contabilizou, em 2009, cerca de 1,3 milhão de mortes por acidente de trânsito em 178 países. Aproximadamente 50 milhões de pessoas sobreviveram com seqüelas.
O acidente de trânsito é a nona causa de mortes no mundo. O Brasil aparece em quinto lugar entre os países recordistas em mortes no trânsito, precedido pela Índia, China, Estados Unidos, Rússia e seguido por Irã, México, Indonésia, África do Sul e Egito. Juntas, essas dez nações são responsáveis por 62% das mortes por acidente no trânsito.