Por Mariana Honesko

A Academia de Letras do Vale do Iguaçu (Alvi) recebe amanhã, às 19h30, familiares e amigos para a solenidade que vai brindar outras duas personalidades de destaque na comunidade. Dessa vez, o artista plástico Ulysses Teixeira e a enfermeira autoditada Zelir Pelegrini recebem a comenda Pinhão do Vale. Nesta edição, o título segue as indicações de Margarete Ribas e do professor Aluísio Witiuk. Os nomes, conforme a presidência da Alvi, foram aceitos por unanimidade. “Para a Academia a entrega da comenda é algo muito importante porque a gente está prestigiando quem faz um trabalho bonito e que a comunidade às vezes nem fica sabendo”, avalia Leni Trentin Gaspari.
A comenda Pinhão do Vale foi criada em 2003. A entrega do título é anual e brinda duas personalidades em cada edição. A cerimônia de amanhã ocorre no auditório da Uniguaçu e é aberta ao público.

Uma vida plena, dentro do hospital
No alto de seus 80 e poucos anos, Zelir Pelegrini, ou simplesmente Sani, encanta pela simplicidade. Ela escuta com dificuldade, tem pequenos lapsos de memória, mas recebe suas visitas com abraço e um beijo na mão. O rosto pequeno e os cabelos curtos escondem uma vida dedicada em servir ao próximo. Abnegada, encontrou ainda menina sua vocação. Foi por acaso, mas a arte de cuidar bem lhe caiu como uma luva.
Conforme relato de sua família e do jornalista Rodrigo Reis, que lembrou a história da idosa em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) pela Uniuv, Sani precisou de atendimento médico quando tinha dez anos. A década era de 40 e a então menina morava em Bituruna. Foi o pai quem a trouxe ao Hospital São Braz, em Porto União. Na unidade, ficou internada. Órfã de mãe, a garota ficou sozinha, já que o pai, “herdeiro” de outros filhos, precisou voltar para casa. “Nesse tempo em que permaneceu internada, Sani, mesmo em tratamento, ajudava as irmãs-enfermeiras a cuidar do hospital”, narra, em partes, o texto do jornalista.
O que começou como um passatempo, logo tornou-se oficial: Sani nunca mais deixou o hospital. O pai aprovou o interesse da filha pelo trabalho e o convite do então corpo clínico do São Braz. Sani trabalhou na limpeza, organização, transporte de produtos e com o tempo aprendeu muito sobre as técnicas de enfermagem. “Tenho 84 anos e 74 de hospital”, diz com simplicidade. De fato, a história de Sani confunde-se com o nascimento da unidade. Em alguns registros fotográficos mais antigos, inclusive, é possível encontrar o sorriso da enfermeira entre os primeiros médicos e enfermeiros. “O hospital cabe dentro do meu coração”, sorri.
Sani não se casou, não teve filhos. Ela também não seguiu exatamente os passos religiosos: nunca tornou-se freira mas agiu como tal, em praticamente toda sua vida. Hoje, debilitada por conta da idade, repousa no quarto 164. O leito é sereno, claro, cheio de lembranças e de movimento. Conforme os cuidadores da idosa, as visitas da comunidade são diárias e repetitivas. “Minha casa é aqui”, afirma.

Muito além da pintura
Ele é filho de União da Vitória mas sua personalidade impressa nas cores e criações artísticas lhe garantiram reconhecimento internacional. Ulysses Teixeira coleciona títulos e uma identidade única.
Foi na década de 70 que sua paixão pela arte, de fato, aflorou. O gosto pelas disciplinas mais pontuais o levaram à cursar Belas Artes, em Curitiba. Antes, porém, Teixeira provou a literatura e o esporte de maneira mais intensa. Em ambos se saiu bem: com as palavras, conquistou espaço nos jornais; com o corpo, representou o Paraná em campeonatos de Karatê, outra grande paixão. Mas, é com os pinceis que chegou mais longe.
Em União da Vitória, o painel do Monge João Maria e a história das enchentes e lendas das Cidades Irmãs, ambas registradas nos muros da Unespar, são suas marcas mais profundas. As peças atraem e tornaram-se cartões-postais. “É emocionante acompanhar os trabalhos do artista postados na rede social. Primeiro surgem os esboços, seguem explicações das luzes colocadas, música ao fundo no vídeo enquanto trabalha, e, quando apresenta a obra, uma linda poesia faz-nos viajar diante de tanta beleza”, descreve Margarete Ribas, acadêmica que defendeu seu nome diante do título. Em seu currículo, Teixeira acumula exposições em vários lugares do mundo, bem como o recebimento de vários prêmios, entre eles, da Holanda, Nova Iorque e Alemanha.
Comenda Pinhão do Vale
Quando e horário
Amanhã, às 19h30
Local
Auditório da Uniguaçu
Entrada
Franca
Organização
Academia de Letras do Vale do Iguaçu (Alvi)