Por Mariana Honesko

O pedido da campanha é um só e tem a saúde dos fumantes como foco. O que se espera, garante a Organização Mundial da Saúde (OMS), criadora na década de 80 do Dia Mundial da Luta contra o Tabaco, é que os cigarros não sejam mais acesos. Ou, pelo menos, que o consumo seja menor. A causa é boa e especialmente hoje, lembrada no mundo todo. A campanha promove alerta aos fumantes sobre os riscos do tabagismo e, em contrapartida, dos benefícios de uma vida livre de cigarros. De acordo com pesquisas médicas, o tabagismo é a terceira causa de morte evitável no mundo. Cerca de um terço da população mundial adulta é fumante. A abstinência é difícil, mas possível.
Ajuda de graça
Nas Cidades Irmãs, as secretarias da Saúde oferecem ajuda gratuita para quem deseja deixar o vício. Os grupos de tabagismo, que seguem modelos preconizados pelo Ministério da Saúde, são opções acessíveis.
Em Porto União, conforme a responsável pelo projeto Educação e Saúde, ele acontece quatro vezes por ano. “Começamos com quatro semanas continuas, depois os encontros são quinzenais e, mais tarde, mensais”, explica a pedagoga Eliane Bradoski. O projeto conta com apoio do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que fornece os medicamentos de auxílio ao corte da dependência. No município, cada edição dos grupos reúne até 20 pessoas. “Temos cerca de 30% de desistência e 70% de sucesso”, lembra. É comum por lá, contudo, a reincidência. Casos de pacientes que já pela segunda ou terceira vez estão nos grupos, não são raros.
Em União da Vitória o cenário é bastante parecido. O município apoia o programa de tabagismo organizado pela 6ª Regional de Saúde. Os encontros, três anuais, atraem em média 25 fumantes cada. Situações de reincidência também são comuns. “O paciente precisa frequentar as reuniões. Ele recebe consulta médica e faz o acompanhamento de seu caso”, explica a farmacêutica da Farmácia Popular da secretaria, Rosangela Tereski.
Os medicamentos – adesivos de nicotina, goma de mascar e antidepressivos – são fornecidos de graça e de acordo com o perfil de cada fumante. “Tudo isso ajuda a fazer um ‘desmame’ do vício”, compara Rosangela. O tratamento é longo e exige pelo menos seis meses de muito foco. “Nem todos que começam o programa terminam”, afirma a farmacêutica. Quem conclui o processo, garante que a “liberdade” emocional e financeira, compensa o sacrifício.
Grupos de apoio
União da Vitória
No Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e na Unidade de Saúde do Bairro Nossa Senhora da Salete. Outras informações no telefone 3903-1600.
Porto União
Na Secretaria da Saúde ou com as enfermeiras das unidades de Estratégia Saúde da Família (ESF). Outras informações no telefone 3522-1496.
Um dia de cada vez
Ela fuma há 20 anos. “Comecei porque achava legal, bonitinho”, conta a jovem que prefere não expor sua identidade. Há um mês, o cheiro do cigarro não agradava mais. A preocupação com a saúde e com a opinião de sua mãe, incomodada com o vício, motivaram a decisão de colocar um fim em duas décadas de “relacionamento”.
Para acabar com o vício, a jovem preparou-se psicologicamente e, como muitos, adotou os adesivos e a goma de mascar, medicamentos fornecidos gratuitamente na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) para quem quer deixar o hábito.
Hoje, um mês após o primeiro passo, a jovem já consome apenas três cigarros por dia – antes o consumo era de até uma carteira inteira – e sente com nitidez o gosto dos alimentos. “O apetite voltou e tenho medo de voltar a fumar ou de engordar”, confessa. A tarefa não parece ser fácil mas, como incentivo à quem também deseja ficar “limpo”, recomenda a força de vontade como principal ferramenta. “E persistência”, sorri.