Por Mariana Honesko

A experiência é inédita para a maioria deles. Na segunda-feira, 2 de junho, 130 militares de Porto União escrevem um capítulo novo em sua própria história e, talvez, na do próprio país. O sucesso que se aguarda em campo também é esperado nos quartéis já montados na capital paranaense. Curitiba é uma das 12 cidades-sedes no Brasil que recebem os jogos da Copa do Mundo de Futebol. Não é à toa, portanto, que uma força-tarefa seja preparada para garantir aos elencos, comissões, torcida e visitantes, total segurança.

Empata com a vontade do governo brasileiro em mostrar o país como um cartão-postal, as exigências da Federação Internacional de Futebol (FIFA). Padrões e normas, conforme o comando do 5º BEC, precisam ser estritamente cumpridos. O processo é extenso, mas, espera-se, funcional. “Há um contrato com a FIFA e ela exige um protocolo. Não é para ter um pavor. É simplesmente uma questão de segurança usada em todos os locais do mundo”, explica o comandante do Batalhão, coronel Franco Azevedo. Ele também integra o batalhão que fica na capital do estado até o dia 27. “Setenta homens saem no dia 2 e os outros, durante os próximos dias”, revela. Além dos 130 homens escalados, todo o batalhão de Porto União fica de sobreaviso e em prontidão para, se necessário, dar suporte às eventuais necessidades.
A capacitação, coordenada pela Aeronáutica, começou há cerca de 12 meses e, neste ano, foi intensificada. Ela ocorreu em duas etapas. A primeira, no Rio de Janeiro. “Para colher informações sobre o evento e sobre o que teríamos que fazer, de fato”, explica o coronel. Depois, em Curitiba. “Operando junto outras agências de defesa, como Polícia Militar, Federal, Bombeiros e órgãos de Saúde”, lembra. Na capital, a etapa foi dividida. “Tivemos a parte técnica, para conhecer os equipamentos e os locais, e também as simulações”, distingue Franco Azevedo.
Em Curitiba, os militares de Porto União unem-se à outros quatro mil homens, vindos dos batalhões de Ponta Grossa, Rio Negro, Blumenau e da própria capital. O contingente ficará abrigado em um batalhão logístico, em Curitiba.

A missão
O treinamento preparou os militares para situações prováveis mas com doses elevadas de dificuldade. A ideia era justamente essa: colocar à prova a capacidade de driblar situações nocivas durante a realização do evento. As Forças Armadas darão suporte à segurança pública e podem, inclusive, substituí-la.
Os militares terão funções específicas. Os de Porto União, enfrentam o desafio de apoiar e liderar três tarefas. A principal resume-se a uma sigla de impossível pronunciação: DQRBN. Na prática, a equipe vai atuar na Defesa Química, Radiológica, Biológica e Nuclear. A atuação, de fato, envolve a identificação de bombas e a descontaminação de vítimas. Neste ponto, o sargento Sandro é o único de Porto União que une-se aos demais capacitados para trabalhar no quartel para esta função mas outros 65 militares locais atuam apenas na defesa química.
Outra frente vai trabalhar na varredura entorno do estádio Joaquim Américo, da Arena da Baixada, hotéis e aeroporto. “E também em outros locais de interesse da FIFA”, lembra o coronel Franco Azevedo. “Vamos verificar se o local está limpo para que só então as demais autoridades entrem, para fazer a segurança”, completa. Neste mesmo roteiro entra também a “limpeza” das rotas que vão ser utilizadas durante o deslocamento das equipes. Bloqueios de manifestantes ou objetos vão precisar ser driblados. “É a parte da mobilidade. Vamos precisar liberar as rotas utilizadas pela FIFA”, diz o comandante.
Mesmo estando preparado para enfrentar uma guerra, se necessário, a torcida dos militares é a mesma dos brasileiros. “Estamos preparados e motivados para toda essa operação. A FIFA terá um belo espetáculo e o povo brasileiro sairá campeão. Queremos que o Brasil vença a Copa e que nós não saiamos do quartel”, sorri Franco Azevedo.
Irã e Nigéria, dia 16
Honduras e Equador, dia 20
Austrália e Espanha, dia 23
Argélia e Russa, dia 26
Copa do Mundo
Esta é a segunda vez que o Brasil hospeda o evento. A primeira foi em 1950. A competição ocorre entre os dias 12 de junho e 13 de julho. As quatro Copas do Mundo anteriores sediadas pela América do Sul foram todas ganhas por seleções sul-americanas. A seleção da Espanha é a atual campeã mundial.
