Andréa Leonora-CNR-SC/ADI-SC/Central de Diários
Durante reunião de ontem, 18, do PSD catarinense, que reuniu quase 400 pessoas vindas de todas as regiões no Hotel Majestic, em Florianópolis, o governador Raimundo Colombo anunciou que na próxima sexta-feira (20) vai convidar oficialmente o PP-SC, juntamente com o PMDB-SC, para compor coligação. Confirmou que a vaga de vice-governador continuará com o PMDB e que a de Senado caberá ao PP.
O anúncio foi feito a prefeitos, vices, vereadores, deputados e secretários, além de dirigentes do PSD catarinense, que por quase uma hora ouviram o governador falar das dificuldades que enfrentou e enfrenta no comando do Executivo, de coligações, de mudanças e da certeza na vitória nas próximas eleições.
O evento foi aberto pelo deputado Gelson Merisio que, por sua vez, informou que naquele momento estava se licenciando da presidência do partido, assumindo em seu lugar o ex-deputado Antonio Ceron, responsável por conduzir o PSD-SC durante o processo eleitoral. Merisio deu o tom do evento ao afirmar: “Temos um caminho seguro a seguir e nós, desde o início, sabemos claramente qual é o caminho. Faremos o convite ao PP na sexta-feira, com a concordância do PMDB. A partir dos três partidos, teremos uma aliança robusta, forte, para as próximas eleições”.
Entretanto, nunca foi tantas vezes reforçado o termo “geopolítica”. De acordo com Merisio, o senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), principal voz contra a entrada do PP na coligação, “tem inteira condição de entender que a geopolítica deveria fazer parte do processo de escolha e os nomes serão escolhidos nas convenções, com autonomia dos partidos para fazerem suas escolhas.” Questionado se o nome do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Joares Ponticelli (PP) era o preferido para o Senado, novo sinal: “O PP vai fazer sua escolha, é claro que levando em conta as questões políticas, regionais e da composição de uma aliança que seja vitoriosa.”
Ao falar sobre coligações, Raimundo Colombo evidenciou que tem sido um processo difícil. “Sexta-feira nós vamos fazer os convites para oficializar as coligações. Nós temos tido parceiros da melhor qualidade, companheiros que nos ajudaram a vencer desafios duros e difíceis que nós tivemos que vencer.” Ao mesmo tempo, reconheceu sua postura tímida até aqui: “Eu me comprometo com vocês a, a partir de agora, ser um líder político mais exposto. Até aqui procurei fazer um trabalho de gestão e isso impunha sobre mim a responsabilidade de falar muito pouco e evitar atritos para que se pudessem alcançar os resultados esperados. Não adiantaria chegar aqui com um governo fracassado ou sujo. Tinha que chegar com um governo com méritos e limpo. É exatamente esse o compromisso que nós temos que assumir. Primeiro com o nosso partido e, depois, do nosso partido com a sociedade catarinense.”
Assim como Merisio, o governador também destacou a questão geográfica para a composição da chapa majoritária. “Nós fazemos uma interpretação geográfica. É importante cobrir outras regiões, já que entre os candidatos adversários um é do Norte (Paulo Bauer/PSDB), outro é do Oeste (Claudio Vignatti/PT). Isso não significa dizer que o Ponticelli estará fora da chapa, mas que faremos uma construção.” A dificuldade está no fato de o PMDB manter o nome de Eduardo Moreira para vice-governador. Assim como Ponticelli, a base política de Moreira está no Sul catarinense. “O projeto que construímos desde o começo foi PSD, PMDB e PP. Agora estamos na costura final.”
Merisio confirmou que foi feito o convite ao PCdoB-SC para também compor a coligação – “até por pedido, tanto para nós quanto para eles, da presidente Dilma, que gostaria de ver o PCdoB compondo a nossa aliança” –, mas que existem questões na chapa proporcional que precisam ser vencidas. Sobre o PDT-SC, a expectativa é que até o final de semana oficialize a participação na chapa. Ele disse que o objetivo do PSD, na proporcional, é eleger nove deputados estaduais e três federais.
Governador fala das dificuldades e da necessidade de resgate da imagem dos políticos
Muito aplaudido, o governador Colombo iniciou sua participação afirmando que a reunião era extremamente importante para o partido e para Santa Catarina. Comentou o crescimento do estado e enumerou vários exemplos de desenvolvimento, fazendo comparações com resultados do país.
Depois falou sobre as dificuldades inerentes ao cargo que ocupa, sua visão política e das esperanças que deposita em seu partido. Leia os principais pontos do discurso do governador Raimundo Colombo ao PSD-SC:
“Temos programas importantes que poderemos mostrar nas propagandas do horário político, como o Juro Zero, ou a política de atração de empresas, atraindo marcas de referência internacional, ou a proteção a setores da nossa economia que tinham muitas dificuldades, como, por exemplo, a suinocultura, ou fazendo aportes importantes no setor do agronegócio para manter o nosso modelo de agricultura familiar. Hoje estamos fazendo o maior investimento da história do estado em armazéns. São ações que modificam a realidade. Estamos testemunhando o maior volume de obras já realizado no estado através do Pacto por Santa Catarina.”
“Nós temos que ter, hoje, a noção exata dos desafios que temos pela frente. Não é a convocação apenas de convocação para um projeto político ou para falarmos sobre o que precisa ser feito sobre as questões de gestão. Precisamos ter, primeiro, todos nós, compromisso político. De postura. Ninguém pode ter vergonha de dizer que é político. O Brasil precisa que a gente assuma com toda a lealdade e responsabilidade o papel de liderança protagonista na nova sociedade na qual queremos viver. O Brasil evoluiu de um Estado paternalista, para um estado de serviços e agora a população exige serviços de qualidade. E nós não estamos conseguindo oferecer essa qualidade e por isso as pessoas foram para as ruas, protestar. Mas nós criamos um arcabouço jurídico que não nos deixa avançar.”
“Todos nós reclamamos e todos nós sofremos as consequências da lei das licitações públicas. Mas não apontamos como mudar. E isso é uma ação política! Todos nós reclamamos dos excessos de alguns órgãos de controle que enlouquecem os prefeitos, que não deixam as ações das prefeituras andarem, mas nós não coordenamos uma ação inteligente e democrática para de fato alterar essa realidade. Hoje, o maior desafio de qualquer governante é fazer gestão de expectativa.”
“As alianças políticas, com esse número tão elevado de partidos, não podem resultar de uma troca de favor ou de um acordo de ocupação de espaço. Ela tem que trazer como meta um projeto em que você una as forças e consegue ter a capacidade de liderar a sociedade e atender às demandas das pessoas. Se não, vamos ter uma eleição, vamos nos esforçar, vamos ganhar, se Deus quiser, e vamos ficar com o sentimento amargo da decepção. Temos que ser críticos e fazer mudanças corretas.”
“Santa Catarina, em 2013, pagou 3 bilhões e 100 milhões de reais de previdência pública. A contribuição foi de 800 milhões (de reais). O déficit foi de 200 milhões (de reais) por mês. Com esse valor mensal, você faz 200 quilômetros de estrada nova por mês. Mas acabando atendendo, com esse dinheiro, apenas 43 mil pessoas. Se nós não resolvermos isso, as nossas gerações futuras não terão nenhum serviço público.”
“A lei e a ordem precisão ser respeitadas, ou entramos em um clima de anarquia. Quem estuda o processo do nazismo sabe que ele não começou com câmaras de gás. Terminou em câmaras de gás, mas começou com confusão, com falta de respeito à lei, com gente querendo fazer justiça com as próprias mãos. A sociedade brasileira é organizada, pacífica, madura, mas nós temos desafios como este porque o Estado não funciona. É muita burocracia!”
“Ser gestor público é algo de imenso sacrifício. De dor pessoal.”
“O Fundam é o maior programa de desconcentração de recursos da história do Brasil. Estamos liberando 600 milhões de reais para as prefeituras, que vão atender as prioridades verdadeiras e realizar mais rapidamente os projetos. Já assinamos com 201 municípios, para 230 projetos somando 400 milhões de reais. São obras que estão mudando as realidades locais e valorizando as lideranças locais.”
“Queremos qualidade na política. Não estamos aqui para atacar ninguém. Muitos ficam chateados quando eu digo que tenho gratidão pela presidente Dilma. Não quero aqui entrar nessa questão, mas devo ser sincero, as relações pessoais, de colaboração mútua, são essenciais. Política tem que ter gesto. Amizade tem que ter gesto. Convivência tem que ter gesto. Parceria tem que ter gesto. São gestos como esses que a sociedade está esperando dos políticos. Temos muitas reuniões, mas poucas ações em direção a reconquistar a sociedade para qualificar o processo político.”
“Estamos conseguindo cumprir muitos dos programas e dos compromissos que assumimos. Vamos iniciar uma nova etapa na qual teremos novos compromissos, novas e melhores condições tanto para realizar obras quanto para fazer ação política. Quero ser um líder político, um líder do PSD!”
“Se engana quem pensa que a política está em baixa. Ninguém na sociedade quer que os militares tomem o poder. Ninguém quer que o processo seja mais burocrático do que é e que os burocratas é que tenham força. Todos querem que os políticos assumam suas responsabilidades e façam as transformações. O partido político que tiver compreensão disso vai entrar em sintonia com a sociedade. E isso só depende de nós.”
“Muitas pessoas reclamaram do processo de coligação. É sempre difícil, é sempre complexo. Mas estamos vencendo etapas. Vamos fazer uma coligação forte com o PMDB, o PP, o PSD e um grande número de partidos. A partir dessa construção, nós queremos levar para as ruas as ações administrativas. Por exemplo, dos dez bilhões que temos disponibilizados para o Pacto por Santa Catarina, nós não aplicamos nem 20% ainda. A maior parte está por acontecer. E se atrasou, nós somos as maiores vítimas da burocracia. Não adianta olharmos apenas o vetor administrativo, que consubstancia o gestor, mas não fundamenta o líder.”
“A crise política está tão exposta que nós temos, como nunca tivemos, desde que se debelou a inflação, crescimento econômico, emprego pleno, as pessoas melhoraram de qualidade de vida… mas parece que as coisas não estão indo bem, quando de fato estão!”
“A nossa proposta não é vender que tudo está bem. Não é a proposta que é só renovar algumas coisas, ganhar as eleições que tudo vai em frente. Não. A nossa proposta é buscar espaço novo intensamente, é construir de forma corajosa uma postura que represente aqueles que desejam esses avanços. Isso é a essência da política. Vamos nos preparar para ela. Vamos nos ajudar.”
“Nós já tivemos aqueles que governaram e viraram oposição. Já tivemos aqueles que eram oposição e viraram governo. A sociedade sabe que as coisas não mudaram. Não adianta acreditar apenas em um governo. Nós temos que mudar o modelo do Estado. E isso exige postura política, exige liderança, exige credibilidade. E esse é o nosso desafio. Se nós conseguirmos fazer isso, podem escrever, no caderno da vida e no coração das memórias, que nós teremos dado uma grande contribuição a uma sociedade que quer crescer, que quer melhorar e quer ter orgulho da sua classe política e do seu país. Esse é um momento diferente. O velho já morreu, mas o novo ainda não nasceu.”