Por Mariana Honesko

Ele prefere não mostrar o rosto e revelar apenas parte de sua identidade. O homem, de 62 anos, admite sentir vergonha após os problemas coronários que o fizeram perder a vitalidade e força para o trabalho. “Hoje sou um lixo”, diz Machado, com lágrimas nos olhos.
A comparação dramática é baseada na pilha de laudos e exames que comprovam sua condição debilitada. Há quatro anos, o idoso encara a cardiopatia. Já foram três intervenções cirurgias e a quarta, que pode garantir uma pressão arterial compatível e uma vida mais tranquila, depende da venda de uma máquina de chinelos. “A cirurgia o SUS (Sistema Único de Saúde) cobre, mas para as despesas de hospital e até de hospedagem ou outras coisas em Curitiba, vou precisar de dinheiro”, explica.
Foi essa necessidade que o motivou a redigir um pequeno anúncio de venda da máquina. “Vendo por motivo de saúde. Vou ter que por um marca passo no coração”, diz, em partes, o texto. “Tenho que fazer a cirurgia. Se não fizer, posso ter o terceiro infarto e ele pode ser fatal”, continua, agora pessoalmente, Machado.
A máquina é nova, tem nota fiscal e está sendo vendida por R$ 3 mil. Acompanha o produto, ainda, material para a fabricação de 40 pares, com formas do número 32 ao 42. Machado também garante orientação ao novo empreendedor. “Ensino a trabalhar com ela”, sorri.
Luta de quatro anos
Foi de repente, após o jantar, que os primeiros sintomas apareceram. Como um rompante, eles chegaram e fizeram Machado ficar 17 dias na UTI do Hospital São Camilo, em União da Vitória. “Cheguei de uma viagem, tomei banho, jantei e tive o primeiro infarto”, lembra. De lá para cá, Machado teve que aceitar a aposentadoria, o incremento de R$ 700 de despesas mensais em medicamentos e o fim da carreira como assistente técnico, cargo que lhe conferia viagens pelo país todo e status.
Em 2012, perdeu um pouco mais da saúde e sua esposa, companheira de 30 e poucos anos, vítima também de um infarto. Machado tem um único filho mas sonha com a possibilidade de voltar para sua terra natal, a paranaense Clevelândia. “Meus familiares já estão fazendo até novena para eu vender a casa e voltar para lá”, conta. O imóvel, no Bairro Cristo Rei, está na sessão de “vende-se”. A placa imobiliária já está no terreno. “Minha vontade era não precisar vender a máquina de chinelos também. Mas, entre a máquina e minha saúde, não tem jeito”, sorri.
Informações
Detalhes sobre a compra da máquina e sobre o próprio equipamento podem ser conhecidos a partir de um contato com Machado pelos telefones 3523-9502 e 9971-5006.