
A convenção do PMDB catarinense homologou a coligação com o PSD para a reeleição de Raimundo Colombo para governador, mantendo o nome de Eduardo Moreira, presidente estadual da sigla, para vice-governador. Outra deliberação foi a candidatura do ex-prefeito da Capital, Dário Berger, para a vaga ao Senado. Berger disputou a indicação partidária com o deputado estadual Edison Andrino e ganhou com 309 votos contra 112 votos dos delegados.
A convenção começou pela manhã e se estendeu até quase as 16 horas. Do número total de delegados, 30% não compareceram em função das chuvas em suas regiões. O governador Colombo, que passaria pelo Auditório Antonieta de Barros, na Assembleia Legislativa, para cumprimentar os peemedebistas, também não pôde comparecer. Estava em Rio do Sul para verificar de perto os estragos causados pelas enxurradas do final de semana.
“Com essa decisão, nós carimbamos os passaportes do governador Raimundo Colombo e do vice Eduardo Moreira à reeleição. O PMDB vai firme e unido para a luta”, avaliou o senador Luiz Henrique da Silveira. Ao ser questionado se estava mais aliviado com a solução, já que resistiu duramente à composição com o PP, respondeu: “Deus escreve certo por linhas tortas. E a política também”.
Outro que lançou um dito popular para descrever a situação foi o presidente estadual do PMDB: “Depois que os ovos estão quebrados você faz uma omelete. E ainda coloca um temperinho”, brincou. Afirmou que foi o melhor encaminhamento e que tinha acabado de falar com Colombo, que teria acompanhado a costura que resultou com o nome de Berger para o Senado.
“Não havia como mudar a disposição do PMDB ter candidato próprio ao Senado. Se nós colocássemos em votação lançar nome do PMDB ou apoiar o PP, o resultado seria óbvio. E não seria o melhor caminho. Além disso, tem o fato de que a vaga em disputa pertence hoje ao PMDB, com o senador Casildo Maldaner”, explicou Moreira, que garantiu que o partido está motivado e sai novamente unido para a disputa eleitoral de outubro.
Ele afirmou que a decisão é legal e irreversível. “A coligação PSD, PMDB, PP e outros é para governador e vice. E todos apoiam essa chapa. Para a vaga de senador, ou mantém exatamente a mesma composição ou cada partido, isoladamente, pode lançar um candidato. Tentamos evitar essa saída, mas, diante da pressão da base do PMDB, que queria votar no 15 para pelo menos uma das vagas, não teve como.”
O agora candidato ao Senado Dário Berger afirmou que essa foi a melhor saída diante do clima que se instalou no partido após a pré-convenção. “O PMDB tem como característica a disputa, mas depois vêm a integração e a união. E para o Colombo melhorou muito. Ao invés de ter um candidato ao Senado, terá dois.” Ao discursar, Berger disse que sua candidatura representa o futuro do partido. “Agora os horizontes ficam mais claros e mais concretos. O PMDB se fortalece no cenário para 2018.”
O atual dono da vaga, senador Casildo Maldaner, atuará na campanha: “Assim como um jogador de futebol, como um atleta, temos que saber a hora de parar. Continuamos ajudando, aconselhando, mas não mais diretamente em campo, na linha de frente”, disse, reiterando sua posição de não mais disputar cargos eletivos, após 52 anos de atuação pública.
PP
Com a decisão do PMDB de lançar candidato próprio ao Senado na chapa majoritária, o PP-SC, que dava como certo que ocuparia a indicação com o nome do deputado Joares Ponticelli, voltou a estudar possibilidades já abandonadas. Até sábado (28) à noite, Colombo ainda tentava dissuadir Ponticelli de manter sua candidatura ao Senado pelo PP. Diante da resistência, deixou claro que teria que acatar o que viesse da parte do PMDB.
Insatisfeitos com a disputa que pode surgir entre o 11 e o 15 para o Senado, os pepistas voltaram a considerar uma composição com o PSDB, podendo até ficar com as duas vagas – vice e Senado – na chapa encabeçada pelo senador Paulo Bauer. Eles aguardavam o retorno de Bauer a Florianópolis, depois de participar da convenção do Solidariedade em Balneário Camboriú, para afinar a conversa. O nome que estava colocado para o Senado nessa chapa era o do deputado federal Paulo Bornhausen (PSD).
Uma alternativa para o PP seria a coligação com o PT-SC, cujo nome ao governo é do ex-deputado federal Claudio Vignatti. Outra possibilidade teria sido apontada pelo casal Amin, com o nome de Angela Amin, também ex-prefeita da Capital, para candidatura própria ao governo do Estado. Até o fechamento dessa edição, a reunião dos pepistas catarinenses ainda não havia se encerrado.
PCdoB e PDT
No sábado (28), o PCdoB e o PDT realizaram suas convenções e decidiram formar uma frente partidária para a chapa proporcional (deputados estaduais e federais) com PV, PSDC, PTB e PSC. Todas essas siglas tendem a apoiar a reeleição de Colombo, de acordo com o ministro do Trabalho e Emprego (PDT-SC), Manoel Dias. “Nós, do PDT, delegamos poderes para a Executiva definir o candidato ao governo que nós vamos apoiar. Para a chapa proporcional, é uma decisão necessária na construção de uma alternativa capaz de eleger deputados estaduais e federais. E essa soma de siglas cria essa condição. Individualmente, não teríamos como alcançar legenda”, afirmou.
O presidente do PCdoB de Florianópolis, Jucélio Paladini, explicou que seu partido também deixou para a Executiva definir o candidato ao governo. A possibilidade de composição com o PSD e não com o PT, parceiro tradicional do campo de esquerda, passa, segundo ele, pela necessidade de um palanque forte para a reeleição da presidente Dilma Rousseff. “A grande eleição é a de presidente. Aqui teremos palanque pró-Dilma e anti-Dilma. Por isso é importante ampliar.”
Nesta segunda-feira (30), às 16h, todos os partidos dessa frente voltam a se reunir para uma tomada de posição quanto ao candidato ao governo. Além disso, ocorrem as convenções do PSB, PSD, PR, PP, PT, DEM e PPS.