Por Vanderlei Woytowicz
Eu provavelmente devo ser como você, mal consigo cuidar dos problemas que estão acontecendo o tempo todo, e como se não bastasse e não fosse o suficiente, fico me sentindo mal pela tristeza que não é minha, mas que faz parte do meu ciclo energético, que são as pessoas mais próximas.
Então me sento meio confuso nessa cadeira cor de areia e fico girando para um lado e depois para o outro, como se quisesse que toda essa angústia caísse para fora do corpo, mas não cai nada, minha cabeça dói mais, fico tonto e desejo com toda a alma que o sofrimento seja algo que estimule um crescimento, caso contrário vamos se ver a sete palmos da terra.
Você consegue notar como ficamos voltamos a estaca zero sempre? Tudo bem, talvez agora você não perceba isso, mas sei que perceberá e vai ficar abismado por ter sofrido tanto e tantas vezes pela mesma coisa, não é culpa do outro, e nem mesmo sua, tudo já estava escrito em algum lugar no cosmos e ele apenas vem trabalhando pra ser como deveria ser. Tudo está certo.
O seu sofrimento e a sua dor, está tudo ok. Sei que você deve estar querendo pular na tela e nas folhas do jornal e me arrastar pra fora e me fazer explicar que diabo estou dizendo aqui, mas é a verdade, não sei lhe explicar, só sei que é. R-e-s-p-e-i-t-e! Não estou pedindo para que me respeite e aceite as minhas ideias, estou querendo que você possa respeitar a si mesmo, os seus sentimentos e as suas escolhas do mesmo jeito que respeita dormir, comer e rezar de vez em quando.
Hoje podem estar lhe dizendo o que fazer, qual é a melhor decisão a tomar e por qual caminho seus pés devem ir, e você talvez possa estar pedindo conselhos a torto e a direito para todo mundo, e é normal, não sinta-se fora do padrão, precisamos por pra fora, contar pode ser um santo remédio, contar é tornar vivo o que vem acontecendo, colocar em palavras o que você não está aguentando.
Entenda que você é você e eu sou eu, podemos ser extremamente ligados e vamos nos ajudar quando um ou ambos estiverem a ponto de enfiar a cabeça debaixo da roda de um carro qualquer, mas não posso e também não devo fazer nada por você, não sou o capitão do seu navio, e os tubarões ainda estão te rodeando, já sabe o que fazer quanto a isso? Não é egoísmo nem tampouco falta de interesse com a sua pessoa, mas quero que entenda que eu absorvo demais, sofro demais, e não sei o que fazer com esse furacão que mal posso segurar entre as mãos.
Esponja de alma. Absorvo tudo de todo mundo, e continuo aqui nessa cadeira cor de areia processando o que e o porquê, mas não quero mais ficar culpando a alma de ser boa demais ou boba demais. Eu quero poder lhe ajudar, mas te peço um motivo pra isso, e que esse motivo seja primeiro a sua vontade em virar borboleta. Maktub.
Vanderlei Woytowicz é acadêmico do curso de Psicologia da Fundação Universidade do Contestado – FunC Porto União