MP recomenda uso de telhas que não tenham amianto

Orientação é para famílias que nas Cidades Irmãs tiveram prejuízos no telhado de seus imóveis durante a enchente

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Atualizado há 12 anos

Por Mariana Honesko

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(Foto: Mariana Honesko).

O Ministério Público (MP) de União da Vitória assina a recomendação administrativa 01/2014. O texto recebe o carimbo e o nome da promotora Rosana Longo. O documento é simples e direto: ele sugere o uso de telhas que não tenham amianto em sua composição. Conforme o texto, o pedido valoriza a saúde da comunidade. “Por se tratar de produto perigoso, principalmente quando manipulado, removido, dilacerado, podendo liberar seus contaminantes reconhecidamente cancerígenos”, diz, em partes, o documento. A recomendação foi expedida ainda durante o auge das cheias do Iguaçu. De acordo com o MP, a preocupação envolve justamente as famílias que tiveram suas casas – e telhados – comprometidas.

amianto-telhas-uniaodavitoria3O amianto, pivô da discussão, tem defensores, acusadores e a garantia industrial. Seja como for, o ideal, segundo os profissionais da área da construção, é para que o material receba tratamento correto, especialmente no momento de seu descarte. Lançar telhas à base do produto em aterros sanitários, por exemplo, não é o ideal. O amianto não pode, ainda, ser reciclado. No meio ambiente, sua decomposição dura até 70 anos. Assim, o descarte para aterros especializados em tratamentos de resíduos sólidos é recomendado.

Mas, afinal, o que é o amianto?

A reportagem de O Comércio tentou entender melhor a preocupação da promotoria e para isso, conversou com o engenheiro civil Paulo Panacione.

Jornal O Comércio (JC) – O que é realmente o amianto?

Paulo Panacione (PP) – É uma fibra mineral que possui alta resistência mecânica e durabilidade. É incombustível, tem boa qualidade isolante, é resistente ao ataque de agentes químicos e bactérias e possui facilidade em ser moldada. Por ser extraído de rochas, ele existe em abundância na natureza e tem baixo custo, sendo largamente utilizado na indústria. Já foi considerado mineral mágico, já que vem sendo utilizado desde os primórdios da civilização, inicialmente para reforçar utensílios cerâmicos, conferindo-os propriedades refratárias. A maior mina de amianto em exploração no Brasil é de propriedade da empresa brasileira Eternit S/A. No Brasil, o amianto tem sido empregado em milhares de produtos, principalmente na indústria da construção civil e em outros produtos como lonas e pastilhas de freio, discos de embreagem, tecidos, vestimentas especiais, pisos e tintas.

JC – O amianto pode interferir na saúde?

PP – Durante a Revolução Industrial, o amianto foi largamente empregado. Desde então, o mundo “moderno” tomou conhecimento de um dos males industriais do século 20 mais estudados em todo o mundo, passando a ser considerado como a “poeira assassina”. As partículas do amianto, quando inaladas, nunca mais se libertam do organismo. O amianto pode causar doença crônica pulmonar, cânceres e tumores malignos. O amianto é uma fibra comprovadamente cancerígena e diversos países não aceitam expor seus cidadãos a este risco conhecido, buscando alternativas menos perigosas e transferindo a produção a populações que desconhecem os efeitos nocivos do produto. Apesar de os problemas de saúde serem mais comuns na indústria, também é necessário ter cuidado com telhas e caixas de água. Pode haver riscos de uma pessoa desenvolver complicações como o câncer, caso possua objetos fabricados com amianto em casa. Na fase de instalação de uma telha, por exemplo, é comum que a telha seja perfurada. A poeira que se solta é altamente contaminante. Muita gente também passa a vassoura ou outros materiais abrasivos que acabam desgastando ainda mais os produtos e liberando o pó nocivo.

JC – Mesmo sabendo dos riscos, a indústria segue vendendo o material.

PP – A indústria rebate as críticas e diz que tanto nas fábricas quanto em casa o amianto é seguro. Para o exemplo caseiro, no momento da instalação de caixas d’água e telhas de amianto, é possível que, com a perfuração de parafusos, uma poeira se solte no ambiente. O mesmo pode acontecer com o desgaste ou a falta de manutenção. Segundo muitos, não há riscos de contração de tumores ou outras complicações de saúde com a possível aspiração das partículas. De acordo com os defensores do amianto, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo, realizou levantamento demonstrando que as fibras de amianto não se desprendem da principal matéria-prima que compõe o fibrocimento (o cimento). Portanto, mesmo sob severas condições de desgaste, as fibras não se soltam.

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