Entre março e abril, o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) enviou para teste em laboratório 291 alimentos industrializados de 90 marcas, a fim de identificar o teor de sódio presente. Foram selecionados produtos de todas as categorias de alimentos incluídas nos acordos voluntários para redução de sódio firmados entre a indústria e o Ministério da Saúde. Nessa primeira etapa da pesquisa, os resultados foram comparados com a informação da tabela nutricional indicada no rótulo dos produtos, tendo em vista as regras da RDC nº 360 da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O teste em laboratório revelou que alimentos industrializados de grandes marcas têm teor de sódio muito diferente do informado no rótulo. Isso caracteriza desrespeito ao direito de informação correta e clara nas embalagens de alimentos, prevista no CDC (Código de Defesa do Consumidor). Dos 291 produtos, 27 deles apresentam variação de mais de 20%, para mais ou para menos, desse nutriente. A diferença descumpre a Resolução no 360/2003 da Anvisa, que estabelece regras para a rotulagem nutricional e dá essa margem de tolerância.Embora a quantidade de produtos com erro seja pequena em comparação com o total de produtos avaliados, chama a atenção que os itens problemáticos sejam de marcas famosas, como Sadia, Seara, Batavo e Aurora, e que, em alguns casos, a diferença entre o valor informado e o realmente presente passe de 50%.Entre os 27 produtos reprovados, dez contêm mais sódio do que o informado. Quase todos são de origem animal, com destaque para salsichas, e a maioria ultrapassa em 40% o teor do nutriente indicado no rótulo. A campeã é a salsicha Viena da Frigor Hans, com 66,3% de variação: a embalagem informa que contém 172 mg de sódio na porção de 50 g, mas o teste revelou que o valor real é 510 mg/50g.Os outros 17 produtos apresentam menos sódio do que o informado. A linguiça tipo calabresa da Sadia, por exemplo, informa no rótulo que contém 910 mg de sódio na porção de 50 g, mas, na verdade, tem 566 mg, uma variação de 60,79%.
Fonte: Idec