Por Alvaro Concha
Durante o quotidiano verificamos a dificuldade que temos em montar equipes competentes e em muitas vezes, quando conseguimos afinar uma equipe que tem bons membros, um deles sai e nos deixa a sensação de que é momento de começar a busca novamente.
Curiosamente o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, nos informa que aproximadamente 7% da população canoinhense possui um diploma de 3º grau e que 22% possui ensino médio completo ou superior incompleto. Sabe-se que o Brasil possui um déficit preocupante nessa área pois, segundo pesquisa divulgada pela OCDE – Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico – o país ocupa a última posição entre 36 países estudados, entre eles a Rússia e o Chile, ambos emergentes. O Brasil possui 11% de seus habitantes com idade entre 25 e 64 anos com diploma universitário, contra 54% da Rússia e 24% do Chile, sendo que a média de todos os países estudados é de 28%.
Mas o que mais assusta é que ainda que tenhamos uma quantidade pequena de profissionais com formação técnica, essa maioria tende a estudar e se aperfeiçoar em poucas áreas. Como por exemplo, verifica-se que na região temos profissionais na área de recursos humanos, mas especialistas em faturamento, na área financeira, na área da logística ou até mesmo na área comercial são muito escassos. Isso facilita cada vez mais a vinda de profissionais de outras regiões para tirar as vagas que deveriam ser de nosso pessoal.
O fato é que essa realidade é nacional, a CNI – Confederação Nacional da Industria, divulgou uma pesquisa informando que 69% das empresas carece de mão de obra qualificada, no total foram 1.616 executivos entrevistados, das mais diversas áreas da economia, sendo 931 pequenas, 464 médias e 221 grandes. Os setores que demonstraram maior problema são o agronegócio com 7% dos funcionários apresentando educação profissional, outros (13,54%) e construção civil (17,8%).
Nenhum país consegue apresentar um crescimento sustentável de sua economia se seus habitantes não se preparam e não se capacitam para ocupar cargos técnicos e desempenhar funções de responsabilidade. Porém é importante que nossos jovens tenham em mente que se todos se direcionam para o mesmo rumo, haverá excesso de demanda numa área enquanto outras ficam carentes, é necessário direcionar os estudos para áreas incomuns, para ramos que outros não se atrevem, como por exemplo, as áreas que exigem conhecimento de números.
Afinal de contas, a lei de oferta e demanda é óbvia e simples, se um determinado “produto” está escasso no mercado, seu preço deverá se elevar, e se o contrário ocorrer, seu preço tende a cair. Para qual dos lados nossos jovens decidiram direcionar seu curriculum? É nossa função, como adultos orientá-los sobre como proceder.
Alvaro Concha é consultor de empresas (alvaroconcha@gmail.com)